quinta-feira, 9 de maio de 2013

GRILAGEM, CORRUPÇÃO E VIOLÊNCIA EM TERRAS DO KARAJÁS

ENCONTRO DE AMIGOS E AMIGAS DO PADRE VÍCTOR ASSELIN! 

Amigos e amigas do Padre Victor Asselin realizam encontro nesta sexta-feira, 10/05, as 19:00hs, na UEMA sob o título "Reforma Agrária, pelo fim da violência no Campo".

Na oportunidade haverá a distribuição - para os militantes dos movimentos sociais e entidades - do Livro Grilagem, Corrupção e Violência em Terras do Karajás, livro polêmico que acusa advogados, juízes, Promotores, políticos e fazendeiros da de Imperatriz e região de envolvimento com a grilagem e a violência em décadas passadas.

Victor Asselin foi um dos fundadores da Comissão Pastoral da Terra (CPT) no Brasil e o seu livro, lançado pela primeira vez em 1982, depois reeditado e relançado em Imperatriz dia 25 de maio de 2010,é considerado uma das principais denúncias sobre a grilagem de terras em nosso país, narra um período marcante da disputa pela terra no Maranhão.

O livro cita muita “gente boa” de Imperatriz nas áreas da política e da Justiça que nas décadas de 60, 70 e meados de 80 incentivavam, participavam ou de alguma forma estavam ligados à grilagem de terras.


Algumas considerações sobre o livro:

Naquela época não havia a chamada "ocupação" ou invasão de terras pelos trabalhadores rurais. As terras eram devolutas, mas nem sempre estavam desocupadas, então com a ajuda de governos, membros do Judiciário, advogados e donos de cartórios, pistoleiros formavam milícias armadas e faziam a “limpeza” para os novos "donos", queimando até povoados implantando o terror e a morte. Quem não saía acabava em baixo de sete palmos. Tais fatos se deram em larga escala notadamente nos governos de José Sarney, João Castelo, Luiz Rocha e até em governos recentes após a redemocratização do país, como o de Edson Lobão.

Aconteceu assim a expulsão do homem do campo, ocorrendo um grande “êxodo rural”, com a conseqüente ida de uma grande massa campesina para as cidades como Imperatriz, Marabá, Açailandia, entre outras, que "incharam" de uma hora para outra. O reflexo disso essas cidades vivem hoje, com os problemas de Saúde, Educação e Infraestrutura urbana. 
O livro cita muita “gente boa” de Imperatriz nas áreas da política e da Justiça que nas décadas de 60, 70 e meados de 80 incentivavam, participavam ou de alguma forma estavam ligados a grilagem de terras. 
Entre os citados estão os advogados Agostinho Noleto , o ex-juiz, ex-prefeito e ex-governador Ribamar Fiquene, o ex-vereador Edson Caldeira,  o finado  ex-prefeito e deputado Davi Alves Silva, o "Mané Goiano, como era conhecido no mundo da pistolagem. (Daví Alves Silva - foto arquivo)


Pedro Ladeira, famoso pistoleiro - também já no outro mundo - "limpador" de fazendas para os grileiros e o "ex-pistoleiro arrependido" José Bonfim, também  são citados no livro.  Depois de alguns anos de prisão, Bonfim que mora em Imperatriz, atualmente está em liberdade, talvez por bom comportamento, já que é evangélico e se diz um homem "lavado no sangue de Cristo".(José Bonfim, foto arquivo)

Alguns desses personagens se eram  ligados à grilagem, mudaram de comportamento, seguiram outros caminhos, como o advogado Agostinho Noleto que depois se tornou até membro da Comissão de Direitos Humanos da Diocese de Imperatriz. 
 
Na década de 90, secretário de Segurança Pública do Maranhão, Agostinho Noleto teve contra si a ira dos latifundiários, quando aconteceu a morte do fazendeiro Zequinha Rocha num conflito de terras em Cidelândia, à época ainda pertencentea Imperatriz. A UDR, liderada pelo Coronel Guilherme Batista Ventura, acusou Agostinho de defender "os invasores" da fazenda de Zequinha que num confronto armado com os posseiros tombou com mais de 100 tiros. Hoje Agostinho é Diretor Regional de Educação e vice-presidente da Academia Imperatrizense de Letras.

Segundo os organizadores, o encontro visa apenas  estimular o debate sobre a questão agrária no Maranhão, mas como sempre o passado persegue as pessoas, muita gente verá rememorado através do relançamento desse livro fatos que gostariam de ver esquecidos, sepultados para sempre no grande cemitério da impunidade.

"Quem estiver preocupado pelo fato do evento acontecer no meso dia da bertura do Salimp, não deve se preocupar, será um encontro rápido e todos podem depois ai ao Salimp", garante uma das orgasnizadoras do encontro, Conceição Amorim.

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