O COLAPSO NA SAÚDE PÚBLICA DE IMPERATRIZ E REGIÃO SÓ SERÁ EVITADO COM A CONTRAPARTIDA ESTADUAL, INVESTINDO NO SETOR PÚBLICO
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| Hospital Muncipal de Imperatriz, o "Socorrão" |
Conforme previsto e divulgado que iria acontecer, a Câmara Municipal de Imperatriz, através da Comissão de Saúde, Educação, Assistência Social, Cultura, lazer e Turismo, realizou na última quinta-feira, 28, pela manhã, uma audiência pública que debateu a atual situação da saúde Pública de Imperatriz e as suas dificuldades como pólo macro-regional de alta complexidade.
Participaram da audiência pública, além dos vereadores, a secretária municipal de Saúde Conceição Madeira acompanhada de assessores, a Comissão Permanente de Saúde da Assembléia Legislativa representada pelos deputados estaduais Dr. Pádua (PP) (presidente da comissão de Saúde da AL), a deputada Valéria Macedo (PDT), (vice-presidente), e Antônio Pereira (DEM), (também membro da comissão), e os promotores de Justiça, Aline Matos (4ª e 5ª Varas Especializadas), Marcelo Trovão e Nayma Habas (Probidade administrativa), além de representantes do Conselho municipal de Saúde, Sindicato dos trabalhadores em Saúde e gestores e representantes de vários municípios circunvizinhos.
| Deputada Valéria Macedo |
“O prefeito Madeira vem fazendo sua parte. Sua equipe demonstrou de forma clara e técnica que aqui que não tem mais recursos para atender a demanda real. A única solução é o Estado e a União aportarem recursos para a Saúde pública de Imperatriz e região, essas são as únicas maneiras para evitar o colapso da assistência médica gratuita”, afirmou Valéria.
Para Valéria, esses investimentos no setor público em Imperatriz e região, incluem a construção de um hospital regional, sua estruturação com pessoal e equipamentos, com aporte de recurso para a média e alta complexidade, com o funcionamento das UPAS, a aquisição de equipamentos próprios de saúde e investimentos na atenção básica nos municípios da região, principalmente aqueles que contam com hospitais, alguns totalmente paralisados por falta de recursos. A parlamentar acrescentou ao rol de soluções a implantação do curso de medicina em Imperatriz, uma de suas primeiras indicações que fez nesta legislatura.
| Médico Irisnaldo Félix, da Secretaria de Saúde, mostrou a real situação... |
O promotor de Justiça Marcelo Trovão, reclamou a ausência de representante do Estado do Maranhão na audiência pública e disse que o município de Imperatriz, a seu ver, deveria processar o estado do Maranhão e a União federal. Esta para receber os recursos gastos com pacientes desses estados e àquele por não levar a distorção a Comissão Intergestores Tripartite em Brasília CIT.
A promotora Aline Matos demonstrou com muita competência a outra grande distorção da saúde de Imperatriz: o tamanho do setor privado que abocanha mais de 60 milhões por ano do estado. Dinheiro este que deveria ser repassado ao município, mas migra para hospitais particulares e entidades privadas supostamente sem fins lucrativos.
Ao invés de se investir no setor público de Imperatriz e região, tira-se dinheiro deste setor e investe-se de todas as formas no setor privado. A promotora Aline Matos disse que “o setor privado visa o lucro e, por isso, essa conta não fecha nunca. E nunca fechará mesmo, se continuarmos fazendo isso”.
A promotora Nayma Habas disse ainda que muitos dos problemas no setor devem-se ao baixo nível de transparência na aplicação dos recursos em saúde e do pouco interesse da população para participar da gestão.
Com base na experiência de gestora pública, a deputada Valéria Macedo disse que “tem feito sua parte” apresentando esses problemas e apontado caminhos que lhe parecem corretos ao governo e ao Secretário de Saúde Ricardo Murad.
“Não há solução para os problemas da saúde de Imperatriz e região fora do sistema público. Não adianta insistir nisso que não dará certo”, finalizou Valéria.
O vereador Rildo de Oliveira Amaral (PV) parabenizou a deputada pela sua intervenção e propôs que seja formalizado um pacto político em favor da região. “Temos que unir forças políticas para fazermos uma bancada regional parlamentar, de deputados estaduais, federais e vereadores, para defender os direitos de Imperatriz e região”, afirmou.
Rildo Amaral teve um papel muito importante no debate ocorrido na Câmara. Dirigiu a audiência com muito equilíbrio, mediou bem as questões suscitadas e comportou-se como um verdadeiro magistrado na condução dos trabalhos.
Presente durante toda a audiência, o presidente Hamilton Miranda fez apenas um questionamento ao Ministério Público, no sentido cobrar responsabilidades dos gestores municipais que fecharam aparelhos de saúde sob a alegação de falta de condições de mantê-los em funcionamento.
Já o vereador José Carneiro, o “Buzuca” (PSDB), questionou as informações passadas pelo deputado federal Chiquinho Escórcio, segundo as quais, o Estado do Maranhão teria mandado em 2010 cerca de 63 milhões para a saúde de Imperatriz. Buzuca e, depois, a secretária municipal de Saúde, Conceição Madeira, disseram que a informação do deputado Chiquinho era incorreta, porque os 63 milhões anuais alegados vinham quase em sua totalidade para o setor privado e não para a direção do SUS municipal.
Conceição acrescentou, ainda, que o estado ainda está querendo retirar dinheiro do pouco já existente no município e apelou para que os deputados dissessem não a essa tentativa do governo que só vai piorar ainda mais o triste quadro da saúde local e regional.
A audiência pública realizada dia 28 em Imperatriz comprovou que, para resolver esses problemas de saúde do centro-sul uma das soluções é o estado recompor financeiramente os sistemas de saúde de básica e média complexidade dos municípios de Porto Franco, Estreito, Açailândia, Carolina, Balsas, Grajaú, dentre outros, que atendem média complexidade. Esses sistemas precisam realmente ser recompostos em termos financeiros e de gestão.
Demonstrou-se também na audiência que, na realidade, o principal gargalo de Imperatriz decorre de receber pacientes de vários municípios da região procurando serviços de média e alta complexidade e ainda dos estados do Norte do Tocantins e do Sul do Pará. Os municípios dos pólos de média complexidade, por outro lado, dizem que o problema é a falta de dinheiro.
Dizer-se simplesmente que o gargalo da saúde pública do Maranhão se encontra na atenção básica é um arrematado exagero. Há problemas na Atenção Básica, sim, mas que se resolvem com fiscalização do Ministério Público e da auditoria do próprio Estado e mais cobrança dos gestores municipais de aspectos ligados à gestão municipal.
Agora o grande gargalo mesmo de Imperatriz e dos sistemas de média complexidade da região, repita-se, é a demanda por serviços de média e alta complexidade, como demonstrou com dados, gráficos, números a equipe do prefeito de Imperatriz Sebastião Madeira.
Não adianta tentar “tapar o sol com a peneira”, querendo jogar a culpa na Atenção Básica. É preciso melhorá-la, sim, mas aperfeiçoar os mecanismos de gestão.










