O principal suspeito do crime tem 37 anos, chama-se Francisco Carlos Gomes de Oliveira, é conhecido como “Franklin”, mora em Dom Pedro onde trabalha para uma empresa que presta serviço à CEMAR e é casado com a professora municipal Irenilde Cruz de Oliveira Silva, com quem tem dois filhos menores.
O trágico acontecimento teria dado inicio, quando Franklin foi transferido para São Domingos do Maranhão, a cerca de quatro anos, onde teria conhecido Maria Antonia.
Tiveram um caso amoroso do qual adveio um filho, hoje com aproximadamente 4 anos de idade. Trata-se de um menino ao qual Franklin vinha dando assistência material e moral segundo os fatos apurados.
Com o nascimento do filho, o relacionamento extraconjugal entre Franklin e “Mel”, como a vítima também era conhecida, revelou-se aos olhos da esposa de Franklin, Iranildes, familiares do casal e de parte da sociedade dompedrense, ávida por um fato bombástico da vida privada, um “babado”, como se costuma dizer na cidade.
Em decorrência do caso Franklin e Irenilde chegaram a separar-se, contudo, não sabe se Franklin chegou a morar com Mel como homem e mulher. Com o passar do tempo, as coisas se arrumaram entre o casal Franklin e Irenilde, tendo o filho de Franklin – com Mel ficado um tempo inclusive, sob a guarda do pai e de sua esposa.
Nessas idas e vindas de um relacionamento amoroso intenso e marcado por conflitos e muita paixão, Mel teria segundo informações obtidas do irmão de Franklin, Antonio Carlos Gomes de Oliveira, ameaçado de morte Irenilde, inclusive na semana do crime Mel teria feito ameaças para Franklin, do tipo Franklin: é ela ou eu, vou matar tua mulher”.
Tudo parecia apaziguado. Franklin e a esposa tinham se acertado, ele, segundo consta, cuidava bem dos filhos, pai dedicado, etc., uma pessoa normal para os padrões sociais da Terra do Imperador Dom Pedro I.
No dia 27 de janeiro do ano em curso, dia do crime, Franklin encontrou-se com Mel em Presidente Dutra, (uma das cidades mais importantes do Maranhão Central) pela última vez. Franklin segundo informações ia com freqüência ver o filho menor que agora já se encontrava sob a guarda da mãe, Mel, a qual pelo que consta tinha conflitos com pai do filho por não cuidar bem da criança.
Em seguida, vieram de moto para Dom Pedro e ao chegarem nas proximidades do Motel Taj Mahal –,Franklin teria entrado numa estrada vicinal enforcado Mel e, em seguida, com gasolina retirada da moto queimado ela.
Há também a versão de que Franklin não teria por deliberação matar a amante, pois apesar de tudo encontrava-se muito ligado a ela e não portava nenhuma arma. Este fato tem relevância jurídica, pois no campo do direito penal e do processo penal a literatura e a prática aludem aos chamados atos preparatórios do crime que, no caso, não se apresentam de forma muito evidente.
Teriam entrado na estrada para um encontro amoroso “no mato” e lá as coisas desandaram, ele não se conteve e a teria enforcado e depois, ateou fogo na jovem Maria Antonia Bastos Silva, que tinha o sugestivo apelido de “Mel”.
Diz-se que foi encontrado esperma no cadáver da moça e que será submetida a exame de DNA do suspeito, que se encontra em lugar incerto e não sabido. A família disse-nos que Franklin pensa em se entregar e conseqüentemente, responder ao processo judicial.
Como ocorre com freqüência em matéria de crimes passionais: o criminoso é uma pessoa comum, tem família, filhos, trabalha, mas se perde completamente diante de uma paixão arrebatadora e da estupidez humana, normalmente quando é rejeitado pela parceira.
Pelo andar das informações, Franklin, o principal suspeito de ter praticado o crime, é um cidadão comum, tem trabalho fixo, nunca teve antecedentes criminais, é pai de família responsável, de boa família, dedicado aos filhos, inclusive ao que teve com Mel, mas aos 37 anos destruiu a vida de sua amante, a sua própria, deixou em destroços a vida de sua família e da família da jovem de 24 anos que foi morta e queimada com gasolina.
Mais um crime passional ou um crime hediondo praticado contra mulher? Isso só a investigação policial e depois o processo penal podem responder.
Uma coisa é certa, a violência contra mulheres em Dom Pedro é recorrente e nada se faz para mudar essa mentalidade atrasada quase africana e que contrasta com os passos firmes das mulheres na sociedade brasileira, que hoje conta até com uma Presidenta da República, sem falar que temos em Dom Pedro uma mulher no comando do município.
Assassinatos de mulheres em Dom Pedro pelos maridos, amantes, pretendentes são fatos infelizmente banais corriqueiros.
Nas estatísticas de crimes passionais as mulheres têm perdido feio. Só se tem notícia do caso de Antonia de Freitas Bezerra, que em 25 de novembro de 2007, matou o amante a golpes de faca, no que ficou conhecido como “O Crime da Mata Velha”.
Fiz a defesa de Antonia como advogado e, depois fiquei sabendo que ela teria matado outro homem, mas isso é outra história. O fato é que se mata mulher em Dom Pedro como se mata cachorro na BR – 135. Essa tragédia social precisa mudar e as mulheres precisam ter consciência disso, pois todo dia meninas, jovens, adolescentes, adultas, são agredidas pelos namorados, maridos, amantes, vilipendiadas, desrespeitadas, subjugadas, trocadas feito mercadoria sem nota.
A questão de gênero em Dom Pedro ainda precisa ser encarada pelo poder público municipal como a questão a ser equacionada em termos de direitos humanos.
* Marco Aurélio Gonzaga Santos é Advogado