O jornalista italiano Paolo Mieli foi um dos participantes do debate “O papel das novas mídias no fortalecimento da liberdade de imprensa”, realizado nessa terça-feira, 15. Também estavam presentes os colunistas de O Globo, Flávia Oliveira e Ancelmo Góis, que mediaram o evento na sede do veículo.
| Paolo Mieli foi o convidado de O Globo em evento sobre a liberdade de imprensa (Imagem: Divulgação/Zimbio) |
Convidado pelo Instituto Italiano de Cultura do Rio de Janeiro em colaboração com a Associação Cultural Anita Garibaldi, Mieli foi categórico ao falar sobre a legitimidade do contato de repórteres e fontes. Ele declara que não cabe ao jornalista discriminar fontes - mesmo que seja "criminosa" - e que não se deve impor obstáculos na busca por informação, desde que a imprensa não passe a servir aos interesses destas fontes, que obviamente, dirão o que as convém.
O momento da realização do evento de O Globo é pertinente, depois de boatos envolvendo a relação do redator-chefe da Veja em Brasília, Policarpo Junior, e o contraventor Carlinhos Cachoeira. Revistas, blogs e a TV Record chegaram a pôr em xeque a ética do jornalista da Editora Abril por “supostas” 200 ligações trocadas com o “bicheiro”. Os telefonemas caíram para dois e os delegados da Polícia Federal ouvidos na CPMI do Cachoeira disseram que o envolvimento entre os dois não passou de “jornalista com sua fonte”.
Numa fase em que há inúmeras explosões de casos de corrupção e escândalos sexuais, os poderes políticos reagem pedindo restrições das leis de liberdade de imprensa, avalia o italiano. Mieli, que é especialista em estudos sobre a liberdade de imprensa e diretor da editora RCS Libri Spa, afirma que “as leis que poderiam limitar a publicação de dados no impresso funcionariam apenas como uma barragem para o oceano que representa da internet”.
Ainda sobre a disseminação de informações na web, o jornalista ressalta aspectos importantes do jornalismo tradicional, como a hierarquização das notícias e a simplificação da mensagem. Ele diz que a internet é um meio de informações fragmentadas e que “sem a hierarquização da notícia, você se perde. E como um mar de dados é muito fácil esconder informações”.
Ao analisar as novas mídias de um ponto de vista político, o italiano reconhece a eficácia na rapidez da difusão de temas diversos, mas também o fato de que estas mídias se tornam nulas no momento em que é necessário parar para refletir. “É possível fazer explodir uma questão, mas não lidam com o comportamento de longo prazo, de longa duração.”
O jornalista, que já dirigiu o Corriere della Sera e o La Stampa, acredita que no futuro o jornal impresso será algo mais elitista. “Uma parte da população encontrará seu status nisso. Abrir um jornal significa dedicar um tempo à informação” (Jacqueline Patrocínio, do site Comunique-se)












