Tucanos pressionam Aécio para a chapa "puro-sangue" e o PT valoriza Ciro Gomes
A semana que começa marca na política o ritmo da sucessão, já dominando as ações Para a concretização das candidaturas a Presidência da República, exatamente logo após a divulgação de mais uma pesquisa Datafolha, que desta vez coloca José Serra sob pressão diante do crescimento de Dilma Rousseff. E Nesse clima o comando tucano se reúne em Belo Horizonte.
O centenário de nascimento de Tancredo Neves vai ser devidamente registrado, mas não haveria momento político mais agitado e desafiador como o atual para homenagear quem vivia tais situações...
A candidatura do neto de Tancredo estará seguramente em evidência e sua valorização multiplicada. As lições do avô podem ajudar Aécio no seu encontro com líderes e correligionários, mas o que as lideranças tucanas começam a entender é que o tempo corre contra. Hoje as decisões de Aécio e Ciro Gomes ocupam as atenções das principais lideranças políticas de governo e oposição. Das decisões de ambos o quadro sucessório terá pesos diferentes.
Serra vai lá
Em busca do apoio de Aécio Neves, o governador de São Paulo, José Serra dedicará a noite de quarta e o dia de quinta-feira a conversas com o governador mineiro, lá em Belo Horizonte. Serra irá, quinta, à inauguração da Cidade Administrativa presidente Tancredo Neves. O roteiro foi acertado num telefonema entre os dois governadores.
Em Belo Horizonte, Serra assistirá à comemoração do centenário do nascimento de Tancredo e na semana seguinte, deverá prestigiar o aniversário de Aécio, que completará 50 anos. O governador paulista tem até o dia 2 de abril para anunciar se disputa a Presidência ou tenta a reeleição. Enquanto isso, Aécio diz que só tomará sua decisão depois de abril. No staff de Serra as preocupações são maiores. E não é só pelas pesquisas, mas as conseqüências que geram.
Mais um mês...
Um tom de despedida já começa a marcar o discurso de Aécio Neves. Ontem ao inaugurar obras de apoio à pesquisa e ao turismo na reserva ambiental, com investimentos de R$ 3,5 milhões, ele admitiu concluir seu mandato, em abril, por razões eleitorais: “Dentro de quatro semanas, não serei mais governador de Minas Gerais. Por imposição legal, no dia 30 de março, deixo o governo. Mas com a tranqüilidade e a serenidade de que deixarei o governo nas mãos limpas e honradas de Antonio Anastasia, para que ele possa dar continuidade ao trabalho desenvolvido.” Mas não abre o jogo sobre o futuro político...
E FHC?
O ex-presidente e experiente Fernando Henrique Cardoso disse no fim de semana que uma chapa puro-sangue do PSDB à Presidência da República não teria "necessariamente" o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, como candidato a vice do tucano José Serra! Questionado sobre uma chapa presidencial só com o PSDB, o ex-presidente respondeu: "Sempre é possível. Não necessariamente o Aécio. Puro-sangue depende da circunstância."
Para o ex-presidente Fernando Henrique o eleitor é mais motivado pela figura dos candidatos do que por ideologia. "A população hoje não está acreditando em partidos, siglas, legendas. Vai olhar quem, qual pessoa. Se for uma pessoa boa, ótimo", disse.
E aparece o PTB
Mas ao menos os tucanos estão com uma boa notícia: O PTB deve fechar aliança nacional com o Partido para apoiar a candidatura do governador de São Paulo, José Serra. O presidente nacional do partido, Roberto Jefferson, já conversou a respeito, ampliando a coligação dos partidos de oposição, hoje composta apenas pelo DEM e pelo PPS, além do PSDB. O acordo não está sacramentado, mas Jefferson antecipou ao Grupo Estado que esse é seu desejo e a tendência natural da base petebista.
Nova pesquisa
Pesquisa DataFolha divulgada no fim de semana mostra queda na diferença entre os pré-candidatos do PSDB, o governador paulista, José Serra, e do PT, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, à sucessão presidencial.
O levantamento aponta Serra com 32% das intenções de voto; Dilma Rousseff, com 28%; o deputado federal Ciro Gomes, pré-candidato do PSB, com 12%; e a pré-candidata do PV, senadora Marina Silva, com 8%. A pesquisa foi realizada entre os dias 24 e 25 de fevereiro.
Do total de entrevistados 9% disseram que vão votar branco, nulo ou em nenhum dos candidatos e 10% informaram que estão indecisos. O levantamento tem margem de erro de dois pontos porcentuais para mais ou para menos.
A pesquisa também apresentou um cenário sem a presença de Ciro Gomes. Nessa simulação, Serra tem 38%, Dilma vai a 31% e Marina Silva fica com 10% das intenções de voto. Na pesquisa de dezembro de 2009, o tucano tinha 40%, Dilma registrava 31% e Marina tinha 11%.
No cenário de segundo turno, numa eventual disputa entre Serra e Dilma, o tucano lidera com 45% das intenções de voto e a petista aparece com 41%. O levantamento realizado em dezembro apontava Serra com 49% das intenções de voto e Dilma com 34%. Em outro cenário de segundo turno, Dilma vence com 48%, contra 26% de Aécio.


























