domingo, 20 de junho de 2010

REGIÃO TOCANTINA FORTALECE A PESQUISA EM COMUNICAÇÃO‏

       

*Por Ed Wilson
        
       O Curso de Jornalismo da UFMA em Imperatriz começa a firmar-se como núcleo expressivo de pesquisa em Comunicação na região Tocantina. Inserido no projeto de expansão do ensino superior no governo Lula, o curso iniciado há cerca de três anos já nasceu com todo o quadro de professores pós-graduados (mestrado ou doutorado), assegurando uma exigência de qualificação predominante nos grandes centros universitários do Brasil.  

        Ao perfil dos professores somou-se o entusiasmo dos estudantes, muitos engajados em projetos de pesquisa ou extensão e estimulados a participar dos eventos acadêmicos em várias regiões do país. É o que se pode observar no 12º Congresso de Ciências da Comunicação (Intercom), etapa Nordeste, realizado de 10 a 12 de junho, em Campina Grande.  

       Os universitários de Jornalismo do Campus de Imperatriz inscreveram três trabalhos no Intercom Junior e três na Exposição de Pesquisa Experimental (Expocom), concurso bastante disputado e aguardado com muita expectativa durante a programação oficial do Intercom. As produções apresentadas pelos estudantes imperatrizenses tiveram como objetos de estudo diversas temáticas emergentes, como a situação do transporte coletivo em Imperatriz, a história dos meios impressos e audiovisuais locais, socialização na infância indígena, estudo de expressões regionais e práticas oriundas do teatro. 

Nayane Cristina Rodrigues investigou as origens da Rádio Imperatriz, a primeira emissora AM da cidade. Thays Silva Assunção levantou os acervos dos jornais, produzindo o artigo "Imprensa em Imperatriz-MA: apontamentos sobre jornais impressos das décadas de 1930 e 1940". Estes dois primeiros, na linha de pesquisa sobre História da Mídia, tiveram orientação da coordenadora do Curso de Jornalismo Roseane Aranjo Pinheiro, frutos de projetos contemplados nos editais da Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (Fapema).Na categoria Cinema e Audiovisual, inovou o documentário em vídeo "Agora binhí: comunicação e identidade regional.” 

O termo “agora binhí” é típico da região tocantina e incorporado aos processos comunicacionais na esteira de expressões ou gírias características de um modo de falar espefífico. Sob orientação da professora Larissa Leda, o vídeo foi produzido pelos alunos André Wallyson Ferrreira, Leide Silva Oliveira, Maria José Costa Vieira, Mário Clemilson Alves da Silva, Marília Otero de Alencar e Príscila Aranha Gama.

Socialização na infância indígena no cotidiano da aldeia foi o objeto do trabalho de Leide Silva e Rodrigo Reis, intitulado “As crianças Gavião-Pykopjê e a comunicação através do trabalho”, orientado pela professora Emilene Leite de Sousa. 
 
O incentivo à produção acadêmica na região tocantina revela a afirmação de uma importante área econômica do Maranhão como pólo universitário, descentralizando o interesse pela pesquisa e extensão antes concentrado no campus de São Luís. Ainda no Expocom, foi apresentada a peça publicitária "Descubra a sua intensidade", fruto da disciplina Publicidade e Propaganda, de autoria dos alunos Larissa Pereira Santos, Elicléia Clarícia Dallo, Juliana Carvalho, Jeniffer de Oliveira Pessoa e Nayane Cristina Rodrigues de Brito, orientados pelo professor Gilbert Angerami Lopes.
 
A preocupação com as temáticas cotidianas vividas pelos moradores da cidade motivou os estudantes a produzir a reportagem radiofônica "Transporte coletivo em Imperatriz", elaborada na disciplina Laboratório de Radiojornalismo, ministrada pela professora Roseane Pinheiro, com a equipe formada por Elicléia Clarícia Dallo, Juliana Neves Carvalho Costa, Maria Talita Nunes Bessa Câmara e Nayane Cristina Rodrigues de Brito
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Dois professores apresentaram trabalhos na categoria Divisões Temáticas, específica para docentes graduados e pós-graduados. Gilbert Angerami Lopes abordou “A comunicação empresarial como ferramenta da responsabilidade social” e Alexandre Zarate Maciel defendeu o artigo intitulado “Mídia, indústria cultural e vida: teorias da comunicação na juventude.”
  Atualmente o curso é coordenado pela professora Roseane Arcanjo Pinheiro, entusiasta do ensino e da pesquisa em Comunicação, com seus trabalhos focados na História da Comunicação. Destaca-se ainda o projeto Com.Cultura, coordenado pela professora Letícia Cardoso.  
Antes da participação dos novos atores, é fundamental reconhecer o papel dos desbravadores da Comunicação em Imperatriz e região. A caminhada iniciada pelos veteranos profissionais de Jornalismo, organizados no SINDJORI e na AIRT, gerou História e acervo hoje fonte de consulta para as pesquisas dos universitários. 
   
Porém, o saldo da nova produção acadêmica requer indagações. Quem acessa o conhecimento gerado na Universidade? Quem lê e “digere” os artigos científicos? A quem e a quê servem os papers? O conhecimento acadêmico é voltado para debater os problemas da realidade tocantina e propor mudanças? Qual o papel da pesquisa em Comunicação diante do cenário tocantino?  São perguntas para um bom debate. 

* Ed Wilson Araújo é jornalista e professor da UFMA  edwilson_araujo@yahoo.com.br /http: blogdoedwilson.blogspot.com

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