A sociedade maranhense merece saber: o ministro Flávio Dino autoriza esse tipo de uso do seu nome? Compactua com essas articulações? Ou está sendo indevidamente envolvido?
O cenário político do Maranhão volta a ser sacudido por áudios que citam diretamente o nome do ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino. E aqui não se trata de um detalhe menor. Quando o nome de um integrante da mais alta Corte do país aparece vinculado a articulações políticas locais, a situação é, sim, grave.
O Supremo Tribunal Federal é guardião da Constituição. Seus ministros precisam estar acima das disputas partidárias, acima dos grupos, acima das conveniências eleitorais. Quando aliados políticos utilizam o nome de um ministro como suposta referência de influência, recado ou articulação, isso não atinge apenas adversários políticos — atinge a própria credibilidade das instituições.
É claro que um ministro do STF não pode e não deve responder a toda provocação política que surge no calor das disputas locais. A liturgia do cargo exige sobriedade, discrição e respeito institucional. Mas, diante da gravidade do que está sendo divulgado, o silêncio também começa a gerar ruído.
Se o nome do ministro está sendo usado de maneira indevida por aliados, é fundamental que isso seja dito com todas as letras. Se não há qualquer envolvimento, que haja um posicionamento claro. Porque permitir que terceiros utilizem a autoridade de um ministro do Supremo como instrumento de pressão ou influência política é algo extremamente preocupante.
A sociedade maranhense merece saber: o ministro Flávio Dino autoriza esse tipo de uso do seu nome? Compactua com essas articulações? Ou está sendo indevidamente envolvido?
Quando se ocupa uma cadeira no Supremo, não se carrega apenas poder — carrega-se responsabilidade institucional. E nesse momento, mais do que nunca, um esclarecimento público não é ataque, não é provocação: é dever com a transparência e com a democracia.













