segunda-feira, 16 de março de 2026

CRISE DO TRANSPORTE COLETIVO EM SÃO LUÍS MOSTRA INCOMPETÊNCIA DE EDUARDO BRAIDE E SUSCITA UMA PERGUNTA: IMAGINEM ESSE HOMEM NO GOVERNANDO O MARANHÃO?

A crise recorrente no transporte coletivo de São Luís evidencia a fragilidade administrativa da gestão do prefeito Eduardo Braide.

A recente greve dos rodoviários não surgiu de forma inesperada; pelo contrário, foi um problema anunciado e que poderia ter sido evitado com planejamento e responsabilidade da Prefeitura.


A própria promotora de Justiça Lítia Cavalcanti, que atua na defesa do consumidor, alertou publicamente para o risco de paralisação do sistema de ônibus. Segundo ela, em entrevista hoje pela manhã na TV Mirante, havia uma “tendência muito grande” de que os rodoviários paralisassem as atividades, diante do impasse entre trabalhadores, empresas e poder público. 


Ou seja, o colapso do transporte não foi surpresa. Houve aviso prévio e houve tempo para que a Prefeitura atuasse de forma preventiva. Mesmo assim, a administração municipal deixou a situação se agravar até que milhares de passageiros fossem prejudicados.


A promotora também destacou que o Ministério Público precisou intervir judicialmente para cobrar medidas da Prefeitura, incluindo o aumento do subsídio ao sistema e melhorias estruturais no transporte coletivo.  Esse fato é revelador: quando o órgão responsável por defender os direitos da população precisa acionar a Justiça para obrigar o município a agir, fica evidente a omissão administrativa.


Na prática, a população ficou refém de um sistema instável e de uma gestão que parece sempre reagir apenas quando a crise já se instalou. Enquanto isso, trabalhadores enfrentam dificuldades para receber seus direitos, empresas alegam falta de equilíbrio financeiro no sistema e usuários são os principais prejudicados.


O episódio reforça uma constatação incômoda: o transporte coletivo de São Luís segue sem planejamento consistente e sem uma política pública capaz de garantir estabilidade ao serviço. E quando o poder público falha nessa missão, o preço é pago diariamente por quem depende do ônibus para estudar, trabalhar e sobreviver.


Finalmente, se já há dificuldade para administrar um serviço essencial da capital, é inevitável a reflexão: imaginem esse homem sendo governador?


domingo, 15 de março de 2026

ORLEANS BRANDÃO: LANÇAMENTO MOSTRA FORÇA POLÍTICA

O pré-candidato representa uma geração mais jovem da política maranhense, ao mesmo tempo participa de um grupo que já está diretamente envolvido na gestão do estado, com ótima avaliação, o que pode torná-lo  imbatível nesta eleição.

O lançamento da pré-candidatura de Orleans Brandão ao Governo do Maranhão foi mais do que um ato político. O evento reuniu cerca de 40 mil pessoas e 182 prefeitos, além de lideranças de vários partidos, em uma mobilização que chama atenção pela dimensão e pelo significado político.


Em um estado onde a política municipal tem grande peso nas decisões eleitorais, o apoio de um número tão expressivo de prefeitos demonstra que a pré-candidatura nasce com uma base sólida. Prefeitos são, em grande parte, o termômetro mais direto das demandas da população, pois lidam diariamente com problemas reais nas cidades. Quando tantos gestores municipais se unem em torno de um projeto, o sinal que se transmite é claro: existe confiança na proposta apresentada.


Parte dessa articulação está ligada à atuação de Orleans Brandão na Secretaria de Assuntos Municipalistas do governo estadual. A função lhe permitiu manter contato permanente com as prefeituras e conhecer de perto as necessidades dos municípios maranhenses, desde infraestrutura e saúde até apoio à produção e desenvolvimento local.


Outro ponto que chama atenção é o discurso de continuidade administrativa aliado à renovação. O pré-candidato representa uma geração mais jovem da política maranhense, ao mesmo tempo participa de um grupo que já está diretamente envolvido na gestão do estado, com ótima avaliação, o que o pode torná-lo imbatível nesta eleição. Essa combinação pode representar, para muitos eleitores, a possibilidade de manter políticas que vêm sendo executadas enquanto se busca novas soluções para desafios antigos.


Durante o evento, também foram citadas prioridades que fazem sentido dentro da realidade econômica do Maranhão: investimentos em infraestrutura, melhoria da logística, fortalecimento da produção e incentivo a setores estratégicos como o agronegócio, a indústria e o turismo. São áreas fundamentais para um estado que possui grande potencial econômico, mas que ainda enfrenta dificuldades históricas para transformar riqueza natural em desenvolvimento social mais amplo.


Naturalmente, toda pré-candidatura precisa provar sua consistência ao longo do processo eleitoral. Mas o ato que marcou o lançamento de Orleans Brandão mostrou algo importante: há um grupo político organizado, com forte presença municipal e capacidade de mobilização, disposto a disputar o futuro do estado.


Em um cenário político que muitas vezes se mostra fragmentado, reunir milhares de pessoas e centenas de lideranças municipais em torno de um projeto não é algo trivial. O gesto político sinaliza que a disputa pelo governo do Maranhão começa com um movimento claro de articulação e demonstração de força.


Se a mobilização vista nesse evento se transformar em propostas concretas e diálogo com a sociedade, a pré-candidatura poderá se consolidar como uma das principais forças no debate sobre os próximos rumos do Maranhão.

quinta-feira, 5 de março de 2026

JULGAMENTO DE JOSIMAR DE MARANHÃOZINHO NO STF E O DEBATE SOBRE EMENDAS PARLAMENTARES

O Supremo Tribunal Federal (STF) incluiu na pauta o julgamento do deputado federal Josimar de Maranhãozinho, acusado de participação em um suposto esquema de desvio de recursos de emendas parlamentares. O caso também envolve o deputado Pastor Gil e o suplente Bosco Costa.

Josimar, Pr. Gil e Bôsco Costa


A análise do processo ocorre no Supremo Tribunal Federal e tem chamado atenção não apenas pela relevância política dos envolvidos, mas também pelo debate mais amplo sobre a utilização das emendas parlamentares no Brasil.


As acusações


De acordo com a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República, os parlamentares teriam solicitado cerca de R$ 1,6 milhão em propina para liberar aproximadamente R$ 6,6 milhões em emendas parlamentares destinadas ao município de São José de Ribamar, no Maranhão.


Segundo a acusação, o valor solicitado corresponderia a cerca de 25% do total das emendas. A investigação aponta que Josimar de Maranhãozinho teria atuado como liderança do suposto esquema, enquanto os demais envolvidos participariam das negociações e da intermediação.


Os três respondem por acusações como corrupção passiva e organização criminosa.


A posição da defesa


Os acusados negam qualquer irregularidade. As defesas argumentam que a denúncia se basearia em provas frágeis ou interpretações equivocadas de diálogos, além de questionarem a legalidade de alguns elementos utilizados na investigação.


Assim, o julgamento no STF tem justamente a função de avaliar as provas apresentadas e decidir se houve ou não a prática dos crimes apontados pela acusação.


Por que o caso é relevante


Além de tratar da situação individual dos parlamentares, o julgamento ocorre em um contexto de crescente debate nacional sobre a transparência e o controle das emendas parlamentares.


Nos últimos anos, esse mecanismo — utilizado por deputados e senadores para destinar recursos do orçamento a estados e municípios — passou a ser alvo de questionamentos relacionados à fiscalização e à possibilidade de uso político ou irregular das verbas públicas.


Por esse motivo, a decisão do STF pode ter impacto além do caso específico, ajudando a definir parâmetros para situações semelhantes no futuro.


Um debate que vai além de um processo


Independentemente do resultado do julgamento, o caso reforça uma discussão importante sobre a forma como recursos públicos são distribuídos e fiscalizados no país.


Enquanto a acusação sustenta que houve cobrança de propina vinculada à liberação de emendas, as defesas afirmam que as acusações não se sustentam diante das provas disponíveis.


Cabe agora ao STF analisar os elementos do processo e decidir se houve crime ou se os acusados devem ser absolvidos. Até lá, o episódio segue como mais um capítulo do debate sobre transparência, controle e responsabilidade no uso do dinheiro público

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

ÁUDIOS, FLÁVIO DINO E STF: O MARANHÃO MERECE UM ESCLARECIMENTO

A sociedade maranhense merece saber: o ministro Flávio Dino autoriza esse tipo de uso do seu nome? Compactua com essas articulações? Ou está sendo indevidamente envolvido?

 O cenário político do Maranhão volta a ser sacudido por áudios que citam diretamente o nome do ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino. E aqui não se trata de um detalhe menor. Quando o nome de um integrante da mais alta Corte do país aparece vinculado a articulações políticas locais, a situação é, sim, grave.


O Supremo Tribunal Federal é guardião da Constituição. Seus ministros precisam estar acima das disputas partidárias, acima dos grupos, acima das conveniências eleitorais. Quando aliados políticos utilizam o nome de um ministro como suposta referência de influência, recado ou articulação, isso não atinge apenas adversários políticos — atinge a própria credibilidade das instituições.


É claro que um ministro do STF não pode e não deve responder a toda provocação política que surge no calor das disputas locais. A liturgia do cargo exige sobriedade, discrição e respeito institucional. Mas, diante da gravidade do que está sendo divulgado, o silêncio também começa a gerar ruído.


Se o nome do ministro está sendo usado de maneira indevida por aliados, é fundamental que isso seja dito com todas as letras. Se não há qualquer envolvimento, que haja um posicionamento claro. Porque permitir que terceiros utilizem a autoridade de um ministro do Supremo como instrumento de pressão ou influência política é algo extremamente preocupante.


A sociedade maranhense merece saber: o ministro Flávio Dino autoriza esse tipo de uso do seu nome? Compactua com essas articulações? Ou está sendo indevidamente envolvido?


Quando se ocupa uma cadeira no Supremo, não se carrega apenas poder — carrega-se responsabilidade institucional. E nesse momento, mais do que nunca, um esclarecimento público não é ataque, não é provocação: é dever com a transparência e com a democracia.


quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

O ESCÂNDALO EPSTEIN E A CRISE MORAL DO PODER

O caso Jeffrey Epstein deixou de ser apenas a história de um milionário envolvido em crimes sexuais. Ele se transformou em um símbolo de algo muito maior: a forma como poder, dinheiro e fama  podem proteger abusos por décadas — até que a verdade venha à tona, ainda que de forma incompleta


Epstein morreu em 2019, oficialmente por suicídio, enquanto aguardava julgamento nos Estados Unidos por tráfico sexual de menores. Mas sua morte não encerrou o caso. Pelo contrário. Com o passar dos anos, documentos judiciais, listas de contatos e depoimentos têm revelado ligações perturbadoras entre Epstein e figuras poderosas do mundo político, financeiro e artístico.


Entre os nomes citados ao longo do tempo estão políticos americanos, empresários influentes, acadêmicos renomados e celebridades internacionais. Pessoas que frequentavam festas, voavam em seu avião particular ou mantinham relações próximas com ele. Nem todos são acusados formalmente de crimes, é verdade, mas a proximidade com alguém envolvido em abusos tão graves levanta perguntas que não podem mais ser ignoradas.


O escândalo também atravessou o Atlântico. No Reino Unido, a relação de Epstein com o príncipe Andrew, membro da família real britânica, causou enorme constrangimento institucional e levou o duque a se afastar da vida pública. O episódio mostrou que nem mesmo monarquias tradicionais estão imunes ao desgaste causado por esse tipo de escândalo.


O que chama atenção é um padrão que se repete: quando os envolvidos são ricos, famosos ou politicamente influentes, a responsabilização parece mais lenta, mais difícil — ou simplesmente não acontece. Enquanto vítimas lutam por justiça, muitos dos poderosos seguem suas vidas quase sem consequências.


Esse fenômeno não é exclusivo do caso Epstein. Escândalos sexuais envolvendo figuras públicas têm surgido em vários países, expondo uma cultura de silêncio, medo e proteção mútua entre elites. Uma cultura em que a reputação dos poderosos vale mais do que a dignidade das vítimas.


O caso Epstein incomoda porque revela uma verdade desconfortável: sistemas criados para proteger a sociedade muitas vezes falham quando precisam enfrentar quem está no topo. E, enquanto isso, cresce a desconfiança das pessoas comuns nas instituições, na política e até na Justiça.


Mais do que apontar culpados, esse escândalo deveria servir como alerta. Sem transparência, sem investigação séria e sem punição exemplar, o poder continua sendo um escudo para abusos. E quando isso acontece, toda a sociedade perde.

sexta-feira, 11 de julho de 2025

EM ALTA: BRANDÃO TEM MAIS DE 60% DE APROVAÇÃO

Governador bate recorde em Imperatriz onde há décadas Governo do Maranhão não desfrutava de tamanha popularidade.

Em pesquisa do Instituto Opinião, do Paraná, que ouviu 2.028 pessoas em todo o Maranhão, entre os dias 3 e 7 deste mês, a aprovação do governador Carlos Brandão não só se manteve acima dos 60 pontos percentuais (depois dos piores meses de chuvas intensas que anualmente prejudicam o sistema viário do Estado, como também elevou a patamares de satisfação jamais vistos em Presidente Dutra (70,1%), Imperatriz (67,2%) e na Grande Ilha de São Luís (64,4%).

Exatamente em consequência das chuvas e do agravamento do estado da MA 014 a partir do colapso da rodovia federal BR 316, a aprovação recuou em regiões onde, em condições normais, o governo estaria no mesmo patamar: no Norte, onde fica a Baixada Maranhense, e Santa Inês, por onde passa a BR 316 e das imediações de onde parte a MA 014. Nelas, a aprovação ficou em 50,0% e 56,3% respectivamente.


A percepção dos maranhenses quando a evolução do Estado nestes últimos 3 anos, a grande maioria diz ver melhoras. Na Ilha de São Luís, o placar é de 47,3% a 15,3% em favor do governo. Regiões de Presidente Dutra, Imperatriz e Caxias também triplicam as opiniões favoráveis sobre as que não viram evolução.


O ritmo das obras (mais de 1.500 entregues ou em execução)da atração de novos negócios (33 mil novas empresas só no primeiro semestre deste ano,o 4º. lugar dentre todos os estados do Brasil em crescimento do emprego formal, e com crescimento da renda familiar individual de 20,2%, quase quatro pontos acima da média nacional), o Maranhão anima os maranhenses, que passam a acreditar que o Estado crescerá muito mais daqui por diante. Média maior é a de Imperatriz, Balsas e Açailândia, de mais de 76% de otimismo. Grande São Luís e a Baixada estão acima de 67%.



Mesmo depois dos estragos das chuvas, o Governo de Carlos Brandão fica acima dos 60% de aprovação

segunda-feira, 30 de junho de 2025

A FARRA DO SEGURO DEFESO NO MARANHÃO, ONDE PARECE QUE TEM MAIS PESCADOR DO QUE PEIXES

Maranhão lidera registros de pescadores no Brasil, mas cenário revela desequilíbrios e suspeitas de fraude.

O Maranhão é hoje o campeão nacional de pescadores registrados no Brasil. São cerca de 590 mil pessoas inscritas no Registro Geral da Pesca (RGP) — quase um terço de todos os pescadores do país. Mas quando se olha mais de perto, percebe-se que esses números fazem mais espuma do que peixe.


O estado tem apenas 621 embarcações cadastradas, o que dá uma média de quase mil pescadores por barco. Isso mesmo: mil! Enquanto isso, a produção de pescado em 2022 foi de apenas 50,3 mil toneladas, muito abaixo de estados como Santa Catarina, que produz muito mais com menos da metade dos pescadores registrados e conta com 218 empresas pesqueiras. E o Maranhão? Nenhuma empresa registrada. Nenhuma!


O que explica esse inchaço nos registros? A resposta pode estar no seguro-defeso, um benefício federal pago aos pescadores artesanais no período de proibição da pesca. Em 2024, o governo desembolsou R$ 5,9 bilhões para esse fim — e uma parte generosa foi parar no Maranhão, onde agora pipocam suspeitas de fraudes.


Investigações apontam que colônias e federações de pescadores — que deveriam representar a categoria — atuam como atravessadoras, cobrando taxas e até retendo metade do valor dos benefícios, em muitos casos concedidos de forma irregular.


No centro das investigações está Edson Araújo (PSB), deputado estadual e presidente licenciado da Federação dos Pescadores do Maranhão. De acordo com o Coaf, ele movimentou R$ 5,4 milhões em um único ano, dinheiro oriundo da própria federação. Coincidência?


O governo federal reagiu com novas regras: desde 25 de junho, o pagamento do seguro só é feito com validação por biometria. E agora, as prefeituras também precisam homologar os cadastros. Medidas necessárias, mas que chegam tarde demais para evitar o estrago — e talvez não sejam suficientes para conter um sistema que se alimenta da própria fragilidade institucional.


Enquanto isso, o verdadeiro pescador — aquele que vive da maré, da rede e do suor — continua à margem, ofuscado por um mar de registros duvidosos e esquemas de corrupção. O Maranhão merece mais que números inflados e suspeitas. Merece respeito.

quinta-feira, 19 de junho de 2025

RESERVA MATA GRANDE E O IMPASSE QUE ATRAVESSA DÉCADAS

O que dizer de uma reserva extrativista criada há mais de 30 anos e que até hoje não saiu do papel? 

Quebradeiras de Côco Babaçu colhendo côco na Reserva Mata Grande. Foto: Leonardo Milani.

Essa é a realidade da Resex Mata Grande, localizada entre os municípios de João Lisboa, Amarante, Davinópolis e Senador La Rocque. 

Criada em 1992 com a nobre finalidade de proteger babaçuais e garantir o modo de vida de comunidades extrativistas, a reserva se transformou em um símbolo do abandono, da omissão e da complexidade das disputas fundiárias no Brasil profundo.

Agora, com o processo de regularização aparentemente retomado pelo governo federal, o tema volta à tona, reacendendo tensões entre ambientalistas, posseiros, produtores rurais e prefeitos. Não é por acaso que uma reunião de urgência foi convocada em Imperatriz, com presença de ministro, deputados, prefeitos e entidade ligada aos ruralistas,  preocupados  com os desdobramentos desse processo.

Ruralistas e prefeitos se reúnem com ministro e prefeitos buscando apoio para barrar a regularização da resex Mata grande.

Mas o problema não é a existência da reserva. O problema é a maneira como ela foi — ou melhor, não foi — implementada. Durante mais de três décadas, a União não desapropriou terras, não indenizou ninguém, não estruturou as comunidades extrativistas nem garantiu qualquer tipo de manejo sustentável. E como se não bastasse o abandono, agora se tenta retomar o processo por meio de um “licenciamento declaratório”, termo técnico que para muitos soa como ameaça disfarçada.

É legítimo que os produtores rurais temam perder suas áreas produtivas. Também é legítimo que as quebradeiras de coco e associações extrativistas cobrem a efetivação de um direito que lhes foi prometido desde o governo Collor. Todos têm razão — e é justamente essa a tragédia. O Estado criou uma política pública, mas não executou. E quando tenta fazê-lo, o tempo já transformou o território num quebra-cabeça social e jurídico.

A reserva da Mata Grande poderia ser exemplo de convivência entre conservação ambiental e justiça social. Em vez disso, virou terreno de conflito, insegurança jurídica e promessas não cumpridas. É o retrato do Brasil que ainda não sabe lidar com seu campo, com sua floresta e com seu povo.

Se o governo federal quiser recuperar a credibilidade neste processo, precisa agir com transparência, escuta e responsabilidade. Não se resolve um passivo de três décadas com decretos frios ou decisões unilaterais. É preciso envolver as comunidades, dialogar com os produtores, ouvir prefeitos e encontrar uma solução que preserve o meio ambiente sem destruir vidas.

Caso contrário, a boiada continuará passando — e não serão apenas árvores que cairão, mas também a confiança em qualquer promessa de conciliação entre o verde e o justo.

quarta-feira, 18 de junho de 2025

EM DEFESA DE BRANDÃO: ENTRE OS FATOS E A NARRATIVA

Em nota, o governo do Maranhão foi categórico ao afirmar: “A tentativa de vincular a operação à pessoa física de Carlos Brandão é descabida”

Tranquilo, Bandão responde com documentos e dentro da legalidade.

Uma matéria, provavelmente mal intencionada, publicada pelo Estadão envolvendo o nome do governador Carlos Brandão (PSB) e um empréstimo milionário tomado por seu sobrinho junto ao Banco do Nordeste lançou suspeitas sobre a lisura do processo. No entanto, ao analisar os documentos e as declarações oficiais, o que se observa é uma tentativa apressada de criar conexão direta entre o governador e a operação financeira.


O ponto central da matéria — a ideia de que Brandão teria dado “aval pessoal” à transação — não se sustenta. A garantia do empréstimo, de R$ 17,7 milhões, foi feita pela empresa Coagri, da qual o governador era sócio, com imóveis registrados em nome da própria empresa. Ou seja, não houve assinatura como pessoa física, tampouco a utilização de bens pessoais.


A narrativa de que ele teria omitido patrimônio na declaração à Justiça Eleitoral também não se confirma. A legislação é clara: só devem ser declarados os bens da pessoa física, não de pessoas jurídicas, ainda que o candidato seja sócio. Nesse ponto, a cobertura do Estadão parece ignorar um aspecto básico da legislação contábil e eleitoral.


A nota divulgada pelo governo do Maranhão reitera essa distinção, frisando que “não houve garantia pessoal prestada” e que a Coagri “atua regularmente, possui CNPJ e patrimônio próprio”.


É legítimo que a imprensa fiscalize e questione, mas é igualmente necessário que faça isso com responsabilidade. Insinuar irregularidade sem evidência concreta, ainda mais em ano pré-eleitoral, tem o efeito de confundir a opinião pública e alimentar uma desconfiança desnecessária.


Brandão, até aqui, responde com documentos e dentro da legalidade. O restante é ruído, provavelmente coisa plantada por quem pretende com propósitos obscuros, tentar desgastar o governador.


Veja a nota do governo do Maranhão, na íntegra:


A tentativa de vincular a operação à pessoa física de Carlos Brandão é descabida. Sua declaração de bens à Justiça Eleitoral segue os parâmetros legais e inclui apenas seu patrimônio individual. A Coagri, por sua vez, é uma empresa registrada, com patrimônio próprio e atuação no setor agropecuário há mais de quatro décadas. Por se tratar de uma sociedade entre os irmãos Brandão, sua movimentação e declarações seguem as regras contábeis e fiscais aplicáveis a pessoas jurídicas, distintas das declarações obrigatórias de pessoa física.

A Coagri Colinas Agropecuária Indústria e Comércio LTDA — empresa familiar fundada em 1981, da qual o governador Carlos Brandão é sócio ao lado de seus irmãos — permitiu, em 8 de setembro de 2022, o uso de duas fazendas de sua propriedade como garantia real para a contratação de um cartão de crédito agrícola junto ao Banco do Nordeste, agência de Colinas/MA.

As propriedades rurais, registradas e avaliadas em R$ 17,7 milhões, foram utilizadas conforme prevê a modalidade de crédito, que exige garantia vinculada a bens e não utiliza a figura de avalista pessoal. Ou seja, não houve qualquer aval de Carlos Brandão, nem nesta nem em qualquer outra operação.

A contratação do crédito foi formalizada em 22 de dezembro de 2022, após o período eleitoral, com liberações realizadas em janeiro e fevereiro de 2023, destinadas à compra de maquinário agrícola. O cartão de crédito agrícola foi concedido ao cliente Jesus Boabaid de Oliveira Itapary Neto, com base na garantia real das propriedades da empresa. Foram adquiridos tratores, plantadeiras e uma colheitadeira, totalizando R$ 10 milhões em crédito, dentro dos limites e critérios estabelecidos pelo banco para esse tipo de financiamento.”