A crise recorrente no transporte coletivo de São Luís evidencia a fragilidade administrativa da gestão do prefeito Eduardo Braide.
A recente greve dos rodoviários não surgiu de forma inesperada; pelo contrário, foi um problema anunciado e que poderia ter sido evitado com planejamento e responsabilidade da Prefeitura.
A própria promotora de Justiça Lítia Cavalcanti, que atua na defesa do consumidor, alertou publicamente para o risco de paralisação do sistema de ônibus. Segundo ela, em entrevista hoje pela manhã na TV Mirante, havia uma “tendência muito grande” de que os rodoviários paralisassem as atividades, diante do impasse entre trabalhadores, empresas e poder público.
Ou seja, o colapso do transporte não foi surpresa. Houve aviso prévio e houve tempo para que a Prefeitura atuasse de forma preventiva. Mesmo assim, a administração municipal deixou a situação se agravar até que milhares de passageiros fossem prejudicados.
A promotora também destacou que o Ministério Público precisou intervir judicialmente para cobrar medidas da Prefeitura, incluindo o aumento do subsídio ao sistema e melhorias estruturais no transporte coletivo. Esse fato é revelador: quando o órgão responsável por defender os direitos da população precisa acionar a Justiça para obrigar o município a agir, fica evidente a omissão administrativa.
Na prática, a população ficou refém de um sistema instável e de uma gestão que parece sempre reagir apenas quando a crise já se instalou. Enquanto isso, trabalhadores enfrentam dificuldades para receber seus direitos, empresas alegam falta de equilíbrio financeiro no sistema e usuários são os principais prejudicados.
O episódio reforça uma constatação incômoda: o transporte coletivo de São Luís segue sem planejamento consistente e sem uma política pública capaz de garantir estabilidade ao serviço. E quando o poder público falha nessa missão, o preço é pago diariamente por quem depende do ônibus para estudar, trabalhar e sobreviver.
Finalmente, se já há dificuldade para administrar um serviço essencial da capital, é inevitável a reflexão: imaginem esse homem sendo governador?
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