terça-feira, 2 de novembro de 2010

Por que Dilma ganhou (apertado) em Imperatriz e Porto Franco?

É preciso se despir das paixões partidárias e das viseiras ideológicas para analisar friamente os resultados da eleição em Imperatriz e Porto Franco, os dois unicos municípios do Maranhão onde Dilma não teve uma vitória acachapante como nos demais, em alguns chegando a marca de mais de 80%. 


O blogueiro petista Carlos Hermes disse que " a vitória de Dilma em Imperatriz pode ser vista como uma derrota do prefeito Sebastião Madeira, mas nunca como mérito de qualquer outra liderança ou grupo político desse Estado. Os votos de Dilma nessa cidade foram fruto do debate nacional, da própria Dilma e da grande popularidade do presidente Lula". 

Hermes acerta na mosca quando dá o mérito à Lula, mas o seu viés ideológico ( ou propositalmente agindo para tentar queimar o prefeito) não lhe deixa ver o contrário, que o prefeito Madeira continua "mais forte que o fumo do Abdias", pois não perdeu de todo, tanto no primeiro como no segundo turno fez bonito com o seu candidato.

Ora,  diante da grande popularidade do Presidente da República, com o Bolsa Família e tantos outros atrativos para a pobreza, a propaganda da prosperidade, pode se dizer que a luta entre Madeira e Lula foi como entre Davi e Golias, o anão contra o gigante. Sem falar que por aqui ainda apareceu um Lobo  vestido em pele de cordeiro, atacando as ovelhas, aliciando de todas as formas os setores mais vulneráveis do eleitorado em nome de Lula e Dilma. 

Madeira não foi o grande derrotado, manteve sua posição de cabeça erguida, sem comprometer a máquina pública, ameaçar servidores ou comprar consciências. O mesmo pode-se dizer do prefeito Deoclides Macedo, que  não se rendeu e a pequena Porto Franco também correspondeu dentro dos limites de suas forças ao chamado de seu líder. 

Madeira e Deoclides se firmam nessa eleição como dois líderes fortes na região tocantina. Pode-se dizer que eles têm votos e o conseqüente respeito de seus adversários,  não devem jamais frustrar seus seguidores,  se amofinarem diante dessa pequena vitória da candidata do poderoso Luís Inácio, para quem realmente tiveram uma pequena derrota, o que é normal. Afinal que forças têm dois prefeitos do Maranhão contra Lula? 

Não haverá nem aceitaremos retaliações. Em seu discurso, logo após ser anunciada a sua vitória, Dilma disse que "a partir de 1º de Janeiro será a Presidente de todos os brasileiros".

Vejam os resultados eleitorais em Imperatriz e Porto Franco, pela ordem, no primeiro e no segundo turno e tirem suas conclusões:

Imperatriz (1º turno)

Dilma: 42,452 Votos, 35,87%Serra: 39, 868 Votos, 33,69% - Marina: 34,897 Votos, 29,49% -Plínio: 881 Votos, 0,74% - Eymael: 102 votos, 0,09% - Zé Maria: 67votos, 0,05% - Ivan Pinheiro: 38 votos,0,03% - Levy Fidelix: 37 votos, 0,03% - Rui Pimenta: 05 votos, 0%.
Votos válidos: 118.347 - Nulos: 5.398 - Abstenções: 31.257 - Brancos: 1.725 - Total de eleitores: 156.727.

Imperatriz (2º turno)
Dilma: 59.841 votos, 52,26% - Serra:54.665 votos,  47,74%
Votos válidos: 114.506 - Nulos: 2.754 - Abstenções: 37.422 - Brancos: 2.051 - Total de eleitores: 156.733
Porto Franco (1º turno)
Dilma: 4.906 votos, 45,6% - Serra: 4.393 votos, 40,83% - Marina: 1.416 votos, 13,16% - Plínio:29 votos, 0,27% - Ivan Pinheiro: 07 votos, 0,07% - Zé Maria: 04 votos, 0,04% - Levy Fidelix: 03 votos, 0,03% - Eymael: 01 voto, 01,01% - Rui Pimenta: 0 voto, 0%.
votos válidos: 10.759 - Nulos: 676  - Abstenções: 2.981 - Brancos: 144 - Total de eleitores: 14.560.

Porto Franco (2º turno)
Dilma: 5.451 votos, 53,39% - Serra: 4.758 votos, 46,61%
Votos válidos: 10.209  - Nulos: 201 - Abstenções: 4.059 - Brancos: 93 - Total de eleitores: 14.562.








6 comentários:

Anônimo disse...

Na verdade, o que houve foi nomeação com referendo, já que se forem arguir o abuso de poder econômico, o destino da nomeada não pode ser diferente do Jackson Lago que foi apeado do poder.
O resultado mais evidente de tudo isso é que o TSE virou de fato um tribunal de exceção, fabricando decisões de acordo com a cara do cliente.
O Madeira não tem nada que temer, já que o PSDB saiu mais forte do que entrou nesse referendo popular. 45% da população disse não ao Coronel Lula e o Madeira poderá fazer grandes parcerias com o Pará, Estado que é, afinal de contas, um dos maiores clientes de Imperatriz.
No entanto, Josué, embora a Dilma tenha mandado, você vai ter que provar que o Lula autorizou.

Anônimo disse...

ei lapada no prefeito vai ser agora Abriga pela cadeira de presidente da camara de vereadores ja esta muito forte de um lado o tucano buzuca e do outro o tucano hamilton miranda sendo q um apoio o ex: governado jakson lago e o outo a governadora roseana quem o madeira vai apoia isso vai valer voto pra 2012

Wsclay disse...

Concordo com o Carlos quando ele afirma que a vitória de Dilma reflete um desgaste até natural do prefeito Madeira. A prova disso é que o próprio Lula perdeu as eleições de 2002 para Serra e 2006 para Alckmin aqui em Imperatriz, quando no plano nacional Lula ficou na casa dos 61%, bem acima dos 55% alcançados por Dilma.

Mas vejo esse desgaste como algo absolutamente natural, principalmente numa cidade que nunca reelegeu um prefeito.

Blog do Josué Moura disse...

Caro anônimo me responda uma coisa: por que o prefeito se envolveria na disputa entre os vereadores pela presidência da Câmara? Por mais que muita gente diga o contrário, as relações políticas e institucionais com o atual presidente Hamilton continuam boas. O prefeito conta com o apoio de todos os vereadores em suas demandas à Câmara. Me diga, que interesse teria em entrar nessa briga?
Quanto a você Wesclay, concorda com o Carlos porque quer ou também porque é vesgo. Nesses dois momentos que você cita a realidade era outra, Lula não tinha toda essa popularidade e aqui havia o desencanto com o PT, graças a desatrosa administração de Jomar Fernandes, portanto não se pode comparar, são momentos diferentes...

Edvaldo dos Santos Ferreira disse...

Um processo eleitoral é doloroso. Uns soltam fogos de alegria, outros entristecidos vão às lágrimas. Um colega jornalista no último domingo, 3, me disse: "Ser político é aceitar com o resultado da vontade popular, sem desistir de suas convicções". Acrescento, o segredo para ser eleito é despertar no eleitor a necessidade de elegê-lo como seu representante nas instâncias de poder.
EDvaldo Ferreira

Anônimo disse...

Moura, veja o que escreveu o seu colega jornalista Roberto Kenard em 3 de novembro de 2010 às 11h15min.

PSDB, DEM, PPS: hora de ser oposição

Chego de viagem e já vejo que parte da imprensa já fala em dilmês casto. É a imprensa Sarney, adesista até o bigode.

Mas os números resultantes desta eleição não são desfavoráveis à oposição. Longe disso.

43.711.388 eleitores disseram um rotundo não ao lulo-petismo. Se tomarmos os que se abstiveram, os que votaram nulo e os que votaram em branco, teremos 80.050.565 brasileiros que não toparam embarcar na nau do lulo-petismo.

Mais: a oposição vai governar 53% do eleitorado brasileiro. Fatia considerável.

O que falta?

Bom, que PSDB, PPS e DEM não sejam mais pusilânimes como o foram até aqui. Oposição é para se opor. Nestes quase oito anos, bastou a companheirada mentir, ou ameaçar ou esbravejar para que a oposição se encolhesse e tratasse de dizer que não é contra o Brasil. Pusilanimidade, está claro. Ser de oposição não é ser contra o Brasil, ao contrário, é zelar pelo país.

A partir de janeiro, a oposição deve começar a cumprir o papel que os brasileiros esperam. Deve começar por chutar o traseiro de marqueteiros. Onde marqueteiros medram, jamais nascem líderes. Líderes são incompatíveis com marqueteiros.

Deve também entender que oposição não se faz somente em ano eleitoral. Quem assim se comporta quer seguir na oposição. Oposição de verdade começa a agir como tal desde o primeiro dia após a eleição.

Os milhões de brasileiros que disseram não ao lulo-petismo estarão na oposição independente de PSDB, DEM, PPS. A prova indiscutível: a oposição pediu para perder e ainda assim mais de 80 milhões viraram a cara ao lulo-petismo. E esse foi o maior recado das urnas em 2010. Os três, então, tratem de cumprir com o que esses brasileiros esperam. Do contrário, é arrumar a mala e sair do país chamado política.