segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Morre Fiquene, "o pai da educação de Imperatriz"

Ribamar Fiquene
Morreu no início da noite de ontem (domingo,1º de janeiro de 2011) em São Luís, José de Ribamar Fiquene, segundo informações não oficiais de câncer no pulmão, doença que havia lhe deixado acamado há quase um ano. Fiquene nasceu em Itapecuru-Mirim, cidade localizada na baixada maranhense, em 27 de dezembro de 1930.

Juiz de Direito aposentado, escritor, professor, músico e político, Fiquene foi prefeito de Imperatriz de 1º de Janeiro de 1983 a 31 de Janeiro de 1989 e governador do Maranhão de 2 de abril de 1994 a 1º de janeiro de 1995, quando foi vice de Edson Lobão e este deixou o governo para se candidatar ao senado da república. Também foi senador do Maranhão por três meses

Homem de letras, o que se poderia chamar de um verdadeiro "gentleman", Fiquene era poeta, escreveu vários livros e foi o autor da letra e música do hino de Imperatriz, tendo também coordenado a comissão de instalação da Biblioteca Pública de Imperatriz.

Como Juíz da comarca de Imperatriz na década de 70, Fiquene teve uma trajetória questionável, segundo o Livro do Padre  Víctor Asselim "Grilagem e Corrupção nas terras dos Karajás", porém como administrador sempre foi muito elogiado constando como um dos poucos ex-prefeitos de Imperatriz que  evoca uma  boa lembrança  por parte da população, principalmente na área da Educação, sendo chamado pela imprensa de "mestre" e "pai da educação". Segundo estatísticas da época  até o início de 1986 Fiquene já havia inaugurado 238 novas salas de aula.

Em Imperatriz Fiquene mantinha uma filial da Fama (Faculdade Atenas  Maranhense), administrada pela sua esposa, Zenira.

Não existem dados confiáveis para se fazer comparações com outros administradores, mas na verdade Fiquene fez muito pela cidade também na infraestrutura, como asfaltamentos e calçamentos, piçarramentos, aberturas de ruas, desapropriações por interesse público, construção de escolas, praças e prédios públicos. Foi no curto período de sua gestão como governador que iniciou três obras importantes em Imperatriz, como a Avenida Beira-Rio, o Complexo da rua Sousa Lima onde funciona o 1º Distrito Policial, e a Rodoviária, depois abandonada durante o governo Roseana, reiniciada no governo Jackson, concluída recentemente mas até agora não inaugurada.

Na área da Comunicação Fiquene manteve a TV Cultura, orgão de informação da administração municipal, em seguida fechada e saqueada durante a administração Daví Alves Silva. Fiquene foi proprietário através da fundação Marechal Eurico Gaspar Dutra, da TV Alvorada e da Rádio Cultura FM, ambas as emissoras depois vendidas para a família Lobão, sendo hoje  TV Difusora Sul e 105 FM, respectivamente.

Depois de prefeito e governador, Fiquene amargou duas derrotas eleitorais em Imperatriz. Em 1992 tentou eleger sua esposa Zenira Fiquene que perdeu a eleição para Renato Moreira e em 1996 o próprio Fiquene foi candidato, ficando em terceiro lugar atrás de Sebastião Madeira, quando foi eleito Ildon Marques de Souza. 

Se não estou enganado, atualmente Fiquene era o presidente de honra do diretório municipal do PMDB de Imperatriz, mas há muito não fazia parte da política municipal e tampouco estadual e estava totalmente esquecido pelos seus correligionários políticos da família Sarney, a quem sempre foi um fiel aliado.

Um fato estranho é o ex-prefeito não ser velado e sepultado aqui, na cidade que tantou  amou e cantou em prosa e verso, como costumava chamar de "majestosa Imperatriz" . Terá sido uma vontade dele ou partiu de sua própria família  a decisão de guardar os seus restos mortais em São Luís?

Um comentário:

Anônimo disse...

EU SEI PORQUE CHAMAM ESTE CIDADÃO DE PAI DA EDUCAÇÃO, DIA 7 DE SETEMBRO DE 1988 DURANTE O DESFILE ELE ORDENOU AO ENTÃO COMANDANTE DO 50 BIS, MAJOR VENTURA A DESCER O CACETE NOS PROFESSORES GREVISTAS QUE TENTAVAM IMPEDIR O DESFILE, EU SEI PORQUE ERA UM DOS RECRUTAS E ISTO TUDO FOI FILMADO E FOTOGRAFADO NA ÉPOCA, PAI É AQUELE QUE BATE VALEU FIQUENE.