quarta-feira, 24 de agosto de 2011

24 de Agosto, Suicídio de Getúlio Vargas, 25 de Agosto, 50 anos da Legalidade

Leonel Brizola
Hoje, dia 24 de agosto, marca a data do suicídio do ex-presidente Getúlio Vargas. Mas amanhã, 25 de agosto, também é uma data bastante especial para a história do País. É quando se comemora o início da única mobilização popular da América Latina que conseguiu evitar um golpe militar. A chamada Campanha da Legalidade garantiu em 1961 que, contrário aos desejos dos militares, o vice-presidente João Goulart voltasse ao País e assumisse como presidente após a renúncia de Jânio Quadros. Em 2011 se comemora 50 anos do evento.

 “É algo na história que a juventude precisa conhecer e que não se pode esquecer”, afirmou o deputado federal Enio Bacci (PDT-RS). Segundo ele, as comemorações são um reconhecimento da história do Brasil e do legado de Leonel Brizola, ex-governador do Rio Grande do Sul que encabeçou a Campanha da Legalidade. “É uma homenagem aos gaúchos e a Brizola. Pessoas como ele não podem ser esquecidas”. Bacci também lembra que, se não fosse o golpe de 1964, Brizola provavelmente seria eleito presidente da República.

Brizola: Herói Nacional - O legado de Leonel Brizola é tão grande que há gente que quer que ele seja considerado Herói Nacional, ao lado de Tiradentes e José Bonifácio. O deputado federal gaúcho Luiz Noé, do Partido Socialista Brasileiro (PSB), tem um projeto de lei que coloca Brizola ao lado de Heróis Nacionais que constam no Livro de Aço, no Panteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves, em Brasília. “A importância da Campanha da Legalidade passou despercebida no Brasil. Nesse ato, Brizola defendeu a democracia”. Noé, que já conhecia a história política de Brizola, se tornou admirador após conhecer a história pessoal do ídolo. “Comecei a admirá-lo com a história da vida dele”. Mas Noé admite ter sido motivo de chacota por pensar em colocar Brizola entre os heróis da Pátria. “Propus antes dessa série de eventos que lembram a Legalidade e fui motivo de chacota. Depois, tomou uma dimensão maior”. - Edgar Lisboa/Repórter Brasília.



Brizola iniciou reação já no dia da renúncia de Jânio Quadros

Paula Coutinho/Jornal do Comércio - Os jornais do Rio Grande do Sul do dia 25 de agosto de 1961 publicavam na capa a vinda do presidente da República, Jânio Quadros, informando que ele permaneceria em solo gaúcho por cinco dias e despacharia do quartel do III Exército, em Porto Alegre. Mas o que não se sabia é que as manchetes ficariam velhas ainda pela manhã. Foi neste mesmo dia 25, uma sexta-feira, depois de participar das comemorações do Dia do Soldado, em Brasília, que o então presidente surpreendeu os brasileiros ao anunciar a sua renúncia. A notícia trouxe repercussão imediata e colocou dúvida sobre os rumos do País. A carta de renúncia era pouco esclarecedora e deixou ainda mais margem à especulação sobre os reais motivos da decisão de Jânio: “Fui vencido pela reação e assim deixo o governo. Nestes sete meses cumpri o meu dever. Tenho-o cumprido dia e noite, trabalhando infatigavelmente, sem prevenções, nem rancores. Mas baldaram-se os meus esforços para conduzir esta nação, que pelo caminho de sua verdadeira libertação política e econômica, a única que possibilitaria o progresso efetivo e a justiça social, a que tem direito o seu generoso povo. Desejei um Brasil para os brasileiros, afrontando, nesse sonho, a corrupção, a mentira e a covardia que subordinam os interesses gerais aos apetites e às ambições de grupos ou indivíduos, inclusive, do exterior. Forças terríveis levantam-se contra mim, e me intrigam ou infamam, até com a desculpa da colaboração”, escreveu Jânio no primeiro trecho da carta.

Por coincidência ou não, a renúncia ocorreu enquanto o vice-presidente João Goulart estava em missão oficial na China, situação que serviu de pretexto para obstaculizar a sua posse na presidência da República, levando o País à instabilidade democrática, sob ameaça de um golpe militar. O presidente da Câmara dos Deputados, Ranieri Mazzili, assumiu a presidência da República. Jânio permaneceu isolado na base aérea de Cumbica (SP), enquanto aguardava embarque de navio para Europa. No Rio de Janeiro, o marechal Henrique Teixeira Lott lançou um manifesto pela Legalidade, censurado no País, mas divulgado no Rio Grande do Sul. Os militares, liderados pelo ministro da Guerra, Odylio Denys, se mobilizaram para evitar a posse de Jango.

Leonel Brizola foi o primeiro governador a levantar a bandeira da legalidade pela posse do vice-presidente. No mesmo dia, discursou de uma janela do Palácio Piratini e afirmou que a carta-testamento de Getúlio Vargas - do dia 24 de agosto de 1954 - “nunca como agora adquire tanta atualidade”. A referência é por conta de, na carta renúncia, Jânio mencionar as ambições do exterior. Getúlio, na carta-testamento divulgada sete anos antes, havia escrito que lutou “contra a espoliação do Brasil”. Brizola sustentou sua fala ao público na Praça da Matriz defendendo a soberania nacional: “O soldado brasilerio não aceita a condição humilhante de ser feitor de um país estrangeiro”... (Leia Mais)
Márcio Dornelles/Ceará Agora (atualização Rede) - O Partido Democrático Trabalhista (PDT) de Fortaleza promoveu, neste sábado (20) a partir das 9 horas, convenção para definição dos seus novos dirigentes. O evento aconteceu na Câmara Municipal de Fortaleza (CMF) e levou o advogado Papito de Oliveira, atual diretor de Estudos e Pesquisa do IDT, à presidência do partido. O ex-governador do Rio de Janeiro, Leonel Brizola, foi homenageado pelos 50 anos da Campanha da Legalidade, movimento puxado por ele como governador gaúcho e que garantiu, através de uma cadeia de emissoras de rádio, a posse do Presidente João Goulart.

Aldo Arantes considera que mobilização estudantil foi decisiva no apoio a BrizolaLEGALIDADE/50 Anos. UNE transferiu sede para Porto Alegre para resistir

Samir Oliveira/Jornal do Comércio - Em agosto de 1961, o goiano Aldo Silva Arantes, de 22 anos, desconfiava de que algo não ia bem no Palácio do Planalto. Na antessala do gabinete presidencial, percebeu a irritação dos três ministros militares que esperavam por uma reunião com Jânio Quadros. Indiferente, o presidente da República resolveu deixar os chefes das três armas aguardando e priorizou a audiência com o jovem aluno de Direito que acabara de assumir o comando da União Nacional dos Estudantes (UNE). Hoje, aos 72 anos, Aldo Arantes não tem dúvidas: “Os militares foram dar um xeque-mate no presidente”. Menos de uma semana depois do encontro, Jânio Quadros renunciou, no dia 25 de agosto de 1961. Ao saber que os militares desejavam impedir a posse do vice-presidente João Goulart, que se encontrava em viagem oficial à China, Arantes tomou duas decisões: decretou uma greve nacional dos estudantes e transferiu a sede da UNE para Porto Alegre. Na Capital gaúcha, se uniu ao governador Leonel Brizola, passando a discursar na Cadeia da Legalidade. Ele lembra da paisagem que encontrou ao chegar na Praça da Matriz. “Havia canhões antiaéreos. Era um clima de guerra”, resume... (leia mais)

A Carta de Vargas

Sebastião Nery/Salvador - A madrugada de 23 a 24 de agosto de 1954 foi uma das mais longas da historia do pais. As rádios (Nacional, Tupy, Globo) ficaram de plantão permanente. A Nacional era do governo. A Tupy de Chateaubriand e a Globo de Roberto Marinho tinham sido entregues a Lacerda, que não saia do microfone. Meia noite Vargas reuniu o ministério. De madrugada, Getulio recebeu o manifesto dos generais, levado por seu ministro da Guerra, Zenobio da Costa. Desistiu de resistir, concordou em assinar uma licença, deu a caneta a Tancredo Neves, foi deitar-se já ao amanhecer. Lacerda e Eduardo Gomes gritavam nas rádios: - “Licença coisa nenhuma. Ele não voltará”. Não voltou mesmo. Ficou para sempre.

Depois de passar a madrugada jantando com colegas, ouvindo as rádios e um pianista cego, no “Columbia”, bar-restaurante de jornalistas depois de prontos os jornais, na avenida Paraná, em Belo Horizonte, fui para o hotel dormir. Às 9 da manhã, batem na porta. Era Roberto Costa, dono da livraria “Oliveira e Costa”, dirigente do Partido Comunista: - Acorda, companheiro! O velho Getulio acaba de se matar, às 8,30. Vamos buscar os trabalhadores na Cidade Industrial para protestar. - Mas não éramos contra ele, o Partido Comunista não era contra? - Agora não é mais. Ele deixou uma Carta Testamento que está sendo lida nas rádios e é um documento revolucionário, violento manifesto aos trabalhadores denunciando o imperialismo americano. Vamos buscar o povo para um comício na praça Afonso Pena, diante da Faculdade de Direito. Já mandamos companheiros para lá, para improvisar um palanque. Entrei no carro dele, fomos para a Cidade Industrial. A radio Nacional dava a Carta seguidamente. Era de arrepiar. O velho era um genio. Com duas laudas de papel matou os adversários todos juntos. Deixou algumas frases arrasadoras que ficaram na Historia... (leia mais)

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