segunda-feira, 9 de abril de 2012

Tristes papéis ou a distância entre o discurso e a prática...

*Por Igor Lago
Igor Lago
No último dia 20 de março, a Executiva Nacional do PDT publicou a resolução n. 04/2012, que fixa normas para a escolha de candidatos e formação de coligações para as eleições municipais de 2012, assinada pelos donos do nosso Partido, os senhores Carlos Lupi (presidente nacional desde 2004) e Manoel Dias (secretário geral desde 1999).
Chamam a atenção três artigos dentre os 14, quando se refere à Convenção Municipal, no capítulo 1, artigo 1, que é prioridade para o PDT o lançamento de candidatura própria nas eleições de 2012, no maior número de municípios, em especial nas capitais.
O capítulo 2, das Coligações, o artigo 7, na impossibilidade de lançar candidato próprio, o partido poderá celebrar coligações para a eleição majoritária, proporcional ou para ambas, podendo nesse último formar-se mais de uma para a eleição proporcional entre os partidos que integram o pleito majoritário a nível municipal, obedecendo sempre a participação das direções estaduais.
E o artigo 8, as propostas de coligação, em se tratando de apoio a candidato de outro partido nos municípios com mais de 50.000 eleitores, serão submetidas para aprovação da direção estadual, até 10 dias antes da convenção municipal. A direção estadual deliberará em até 5 dias, após o recebimento da proposta.
Parágrafo único – o mesmo procedimento será adotado perante a direção nacional para as propostas de aliança para apoiar candidatos a prefeito de outro partido para as capitais e municípios acima de 100.000 eleitores.

Fica muito claro que a Direção Nacional do PDT toma as rédeas para si de todo o processo eleitoral, especialmente nos municípios acima de 100.000 eleitores. Portanto, o resultado eleitoral deve, até prova em contrário, ser de responsabilidade da mesma. Expressa, de forma clara e inequívoca, a preferência por candidaturas próprias, em especial nas capitais. Com relação às coligações, não define nem aconselha os perfis das mesmas. Ou seja, o PDT pode coligar-se com todos. Nem uma consideração geral no sentido de apontar coligações com partidos políticos ou candidatos que se pautam pela ética e pelos valores republicanos. Nenhuma menção a alianças com partidos afeitos às Oligarquias que atrasam os nossos estados e, consequentemente, o nosso país. Nada disso.

É de bom alvitre, em se tratando de interesse partidário maior, a adoção de políticas partidárias que visem o fortalecimento do Partido em acordo com as realidades locais, especialmente em resposta aos cada vez mais naturais e crescentes anseios por políticas públicas de grande impacto para atender às necessidades de nossas sociedades. Isto, inclusive, está nos princípios, ideais e história de nosso Partido! Se, no presente, é assim para com os outros estados, o que duvido, não o é para com o Maranhão, pois desde o falecimento do ex-governador Jackson Lago, o nosso Partido enfrenta, por parte daqueles notórios senhores, ações adversas ao nosso fortalecimento ao adotarem uma política mesquinha de privilegiar um setor minoritário em desrespeito à grande maioria de nosso Partido que teve como principal norte de suas ações a reorganização sob o legado de nosso principal líder.

Indubitavelmente, há uma distância enorme entre o discurso e a prática adotada pelos "admiráveis" dois senhores. Aqui, no Maranhão, além de não apoiar os nossos trabalhos à frente da Comissão Estadual e, a rigor, sabotarem as nossas ações que levaram à reorganização de nosso PDT em 211 dos 217 municípios maranhenses, tínhamos como meta o fortalecimento da tese de candidatura própria em São Luis, que seria discutida por todos os membros de nosso Partido, sem imposições e que a opção fosse o que a maioria decidisse.

Não podemos deixar de afirmar que o nosso Partido maranhense foi vítima de interesses pequenos por parte daqueles dois senhores da Direção Nacional, que se guiaram única e exclusivamente para conseguir, momentaneamente, e a qualquer custo, um simples mandato de deputado federal a um de nossos suplentes que, a bem da verdade, dispensa qualquer comentário sobre a sua reputação. 
Querem, a todo instante, tornar o nosso Partido num balcão de negócios que, a rigor, obedece à lógica “do quem dá mais”. Nos tiraram da presidência da Comissão Estadual por retaliação, bem como por saberem que não compactuamos com determinadas políticas velhas e arcaicas que, infelizmente, assenhorearam-se de nosso PDT. Até quando?

Agora, sob a nova direção maranhense, que não tem a estatura moral e política para enfrentar os enormes desafios do presente e futuro de nossa capital e nosso estado (sempre sob o patrocínio daqueles senhores nacionais!), pautam-se por ações partidárias fisiológicas em torno de interesses de mandato de deputado federal, de cargos e outras vantagens para declararem apoio a um ou outro dos pré-candidatos a prefeito de nossa capital. Querem o PDT resumido às boquinhas!

Triste papel para um Partido que continua a ser um dos maiores de nossa cidade em número de filiados e que protagonizou as maiores conquistas populares em nossa querida cidade de São Luis. Triste papel para um Partido com toda uma tradição de luta pela democracia, liberdade e justiça social em nosso sofrido e abandonado estado.

09 de abril de 2012.
*Igor Matos Lago é filho do e-governador Jackson Lago, médico, ex-presidente da Comissão provisória  estadual do PDT do Maranhão e membro da excutiva nacional do PDT.

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