quinta-feira, 18 de abril de 2013

"ENFRAQUECER PARA DOMINAR": GOVERNO ROSEANA SARNEY FAZ CAMPANHA SISTEMÁTICA CONTRA O PODER LEGISLATIVO MARANHENSE



Qualquer analista minimamente atento  já percebeu que um dos objetivos claros do governo Roseana Sarney é desmoralizar, desmantelar, enfraquecer, subjugar, vilipendiar mais ainda todos os deputados e deputadas estaduais, quer sejam o de sua base aliada quer sejam os da oposição.  A determinação é para tornar mais ainda a Assembleia num mero carimbador de projetos nascidos no Palácio dos Leões.

No desenvolvimento da democracia uma das grandes conquistas da sociedade foi retirar dos monarcas, dos reis e governantes em geral, a legitimidade de expressar a vontade geral do povo. Isso é feito através de representação nos parlamentos e nas assembleias populares.

A representação política brasileira evidentemente tem graves problemas, dentre os quais, pode-se destacar o alto custo financeiro dos mandatos eletivos. A representação política fica muito setorizada daí a bancada dos ruralistas, dos empresários, dos evangélicos, dos parentes de quem já teve acesso ao poder, enfim, de quem tem condições financeiras e políticas de chegar aos mandatos do poder legislativo. Essa grave distorção não é equacionada pelo sistema jurídico eleitoral brasileiro. Em geral essa distorção acompanha o parlamentar aonde ele vai.

Abre-se com isso uma profunda fenda,  uma completa falta de sintonia entre o povo (mandante) e os vereadores, deputados e senadores (mandatários). O primeiro não se sente efetivamente representado pelos segundos e estes não se sentem realmente representantes daqueles, mas representantes de si mesmos, de interesses setoriais e familiares. Isso não é tudo, mas é uma boa medida da democracia representativa brasileira.  

Há outras distorções, como o sistema jurídico, a composição dos Tribunais Regionais Eleitorais muito fragilizadas em termos institucionais e éticos. Veja-se, por exemplo, o processo de escolha dos juristas que integram os regionais.

O financiamento das campanhas eleitorais pode-se afirmar é o principal problema da democracia brasileira, basta que se veja os escândalos nacionais do mensalão e mais recente do bicheiro Carlinhos Cachoeira.

Aqui no Maranhão, além dos problemas gerais acima apontados, há um problema específico: o poder executivo estadual, que aqui se confunde com a governadora Roseana Sarney, tem o domínio acachapante de todos os meios de comunicação. Jornais, rádios, TV Mirante, SBT, blogs de maior audiência. Só sobra o Jornal Pequeno que segundo as más línguas deu certa arrefecida em parte ao poder constituído, talvez pelas propagandas institucionais que de uns tempos pra cá também passou a ser aquinhoado.

Sob a ótica da mídia, a governadora Roseana Sarney é quase imbatível. Fora sua mídia, sobram uns gatos pingados de blogueiros, jornais periódicos e rádios, que vivem no fio da navalha: entre a independência e sobrevivência.

O Poder Judiciário tem suas especificidades que não permitem ao Poder Executivo dominá-lo por inteiro, mas ninguém desconhece a influência da família Sarney (e, pois, do Poder Executivo) sobre a toga maranhense. Mas a população nunca acreditou muito mesmo no Poder Judiciário, não é mesmo?  

Agora uma coisa é certa: desde que Roseana Sarney voltou ao Palácio dos Leões, especialmente a partir de 2011 que ela desenvolve uma campanha autoritária e sórdida contra o Poder Legislativo maranhense. 

Qualquer analista minimamente sério já percebeu que um dos objetivos claros do governo Roseana Sarney é desmoralizar, desmantelar, enfraquecer, subjugar, vilipendiar mais ainda todos os deputados e deputadas estaduais, quer sejam o de sua base aliada quer sejam os da oposição.  A determinação é para tornar mais ainda a Assembleia num mero carimbador de projetos nascidos no Palácio dos Leões. 

Através de seu braço midiático formado por jornais, blogs, TVs, rádios, o governo Roseana tem executado uma campanha sistemática de desmoralização política e institucional do Poder Legislativo estadual.

Só para exemplificar, vejam algumas matérias destacadas no jornal O Estado do Maranhão: Em 13/2/2011 foi publicada ampla matéria denominada de “Deputados custam R$ 90 milhões anuais para o contribuinte maranhense”. Em 17 de abril de 2011 “Assembleia registra baixo índice de produção legislativa no primeiro trimestre de 2011”. Em 16 de maio de 2011 “Em 100 dias de mandato há parlamentares que se mantêm calados em plenário”. O coroamento da campanha deu-se com ampla matéria veiculada em rede nacional pela rede globo e depois por outros canais de TV.

Basta que se faça um levantamento da imprensa sarneysista de fevereiro de 2011 até os dias correntes, para que se perceba de maneira clara e sem nenhuma dúvida que realmente há uma sistemática campanha midiática de desconstrução política e institucional do já combalido parlamento estadual maranhense. 

A TV Mirante às vezes até bate no governo, esporadicamente, segundo dizem por causa de uma suposta intervenção da Rede Globo no jornalismo da afiliada maranhense, mas nada que seja tão arrasador, como faz juntamente com o Jornal O Estado do Maranhão contra o parlamento maranhense.

O que é curioso é que o governo não perdoa nem mesmo os deputados da base aliada, que formam a maioria acachapante na assembleia. A campanha de desmoralização chegou ao ápice com matérias televisivas divulgadas pelo Fantástico e em várias edições do Jornal Nacional.

Depois de muita taca e já com um desgaste político, eleitoral e institucional praticamente sem recuperação política os deputados governistas começaram a ir timidamente para o contra-ataque.

Começou pelo deputado Raimundo Cutrim que  condenou da tribuna o que chamou de “campanha sórdida da Mirante contra os deputados do Maranhão”, conforme matéria veiculada no Jornal Pequeno de 12/04. 

A rebordosa veio em seguida quando em 13/04 o próprio jornal o Estado do Maranhão publicou matéria intitulada “Deputados voltam a criticar imprensa após corte de três salários na Assembleia”, fazendo repercutir pronunciamento do deputado governista Tatá Milhomem e da Deputada pedetista Graça Paz, muito mas para enquadrar Tatá Milhomem e assim dar o recado aos outros do que mesmo de divulgar a matéria.   

Mesmo Tatá Milhomem, um fiel vassalo da rainha, não aguentou a taca e desabafou na tribuna: “Então a TV Globo, a TV Mirante, a Rádio Mirante e os blogueiros, se assim quiserem, podem continuar com a luta porque, se for para falar de imoralidades, eu acredito que muitas imoralidades existam no sistema de televisão brasileira”. Depois de muita taca junto com todos os outros o deputado não resistiu e fez uma ameaça sutil como quem diz: “se for aberto este sistema de comunicação aí tem muita imoralidade”, mas com medo preferiu falar do “sistema de televisão brasileira”.

E não para por ai: no noticiário da TV Mirante da noite desta quarta-feira 18/04, novamente a taca comeu na Assembleia. Matéria sobre resolução que fixou os valores para as verbas indenizatórias, ajuda de gabinete e auxílio-moradia, paga aos parlamentares foi motivo de mais um desgaste entre parlamentares e membros da imprensa sarneysista. 

Os deputados Manoel Ribeiro (PTB) e Tatá Milhomem (PSD), soltaram o verbo contra o chamado “quarto poder”. Ribeiro chegou a lembrar aos jornalistas que no tempo do regime militar eles não estariam ali daquela forma emparedando os deputados. Já Tatá Milhomem lembrou que a ofensiva mais uma vez partia do “diário do governo”, em tese, o sistema Mirante de Comunicação.

Mas uma coisa é certa: Roseana já conseguiu produzir queimaduras de terceiro grau na imagem do Legislativo maranhense. Alguns deputados desavisados foram tão prejudicados que dificilmente conseguirão nova eleição, tamanha foi à queimação política em rede nacional e estadual.

Agora cá pra nós: que esta Assembleia merece taca, ah! Isso merece mesmo, pois ao invés de enquadrar esse governo como faz o Congresso Nacional no chamado presidencialismo de coalizão, deixa que o Poder Executivo aqui no Maranhão, Roseana Sarney, enquadre os deputados, que mais se parecem com vereadores dos pequenos municípios maranhenses, aqueles tão servis que os prefeitos não dão qualquer valor.

Este Poder Legislativo é tão submisso, tão covarde, tão descumpridor de seu papel político e institucional, que permite que Roseana Sarney vete todos os projetos aprovados pela Casa que não são oriundos do Palácio dos Leões. Ela veta praticamente tudo que o legislativo aprova que não saia do Palácio dos Leões. A maioria do legislativo maranhense é tão pérfida e ignóbil que depois aprova os vetos da governadora de projetos nascidos nele e aprovados por ele próprio.  

Um Poder Legislativo infame deste naipe merece mesmo é muita taca, pois  porque não cumpre sua missão institucional e política. 

O problema disso tudo é que voltamos às avessas a época das Monarquias aqui no Maranhão, onde essa história de outros poderes independentes e harmônicos é conversa fiada de lunáticos que ignoram a realidade maranhense. 

Bem feito! Mais taca Roseana nesses deputados que não se respeitam e nem respeitam os votos que receberam do povo maranhense. 

Eles devem ficar mesmo apenas com dois direitos na máxima castrense: “Não ter direito algum e não reclamar do direito que tem”. É isso!

Um comentário:

Unknown disse...

Boa matéria. Ela é excelente para fazer uma análise da conjuntura política do Maranhão.