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| Flávio Dino |
Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, o presidente da Embratur,
Flávio Dino, alerta que altos preços praticados no turismo interno do Brasil
tem feito com que mais brasileiros viajem ao exterior, em vez de fazer trajetos
nacionais. Dino explica que o problema só será superado quando for resolvida a
questão dos altos preços de alguns serviços turísticos no Brasil.
O jornal Folha de S. Paulo deste domingo trata do problema do déficit na
conta externa de turismo do Brasil - quando o que os brasileiros gastam em
viagens ao exterior supera o que os estrangeiros gastam em viagens no Brasil.
Entre 2011 e 2012 (desde o início da gestão de
Flávio Dino à frente da Embratur), o fluxo do turismo internacional no país
cresceu 20% acima da média mundial. Em um ano, o número de turistas cresceu
4,5%. Mas, para aumentar a arrecadação com o turismo no Brasil, é necessária
ação conjunta entre setores público e privado.
“O Ministério do Turismo, que cuida das ações
internas, tem se esforçado tem se esforçado para que os brasileiros viajem mais
pelo Brasil e para que tenhamos preços melhores. Mas muita coisa depende do
setor privado,” disse Dino.
Em ação recente, a Embratur interveio na alta dos
preços de hotéis durante eventos internacionais realizado no Brasil. Um caso
emblemático foi o ocorrido durante a Rio+20, em que diversos visitantes
deixariam de vir ao país devido às altas tarifas da estadia. Flávio Dino atuou
como mediador com o setor de hotéis e houve diminuição dos preços cobrados,
evitando a baixa no número de participantes do evento.
Outros exemplos de política de atração de turistas
internacionais promovida pela Embratur com a diminuição dos preços dos pacotes
turísticos é que Flávio Dino defende a política de “céus abertos” no Brasil -
uma forma de tentar diminuir os valores das passagens aéreas em trechos
nacionais – e a aceleração do fim da obrigatoriedade dos vistos para americanos
e brasileiros.
Veja abaixo, matéria completa do jornal Folha de S.
Paulo:
Preços limitam a
visita de turistas e até de brasileiros
Pacotes para o
Caribe ou a Turquia ficam mais baratos que viagem ao Nordeste; escritórios
promoverão Brasil
Embratur vai abrir
13 escritórios para promover o Brasil em países do exterior; hoje, não há
nenhum
DE BRASÍLIA
A advogada Liane
Magalhães fez as contas: ir à praia na Republica Dominicana era mais barato do
que passear uma semana na Bahia. Grávida de seis meses, a economista Patrícia
Correia montou um roteiro de descanso e compras em Miami, nos EUA.
Enquanto isso, a
mestre em linguística Fabiana Pfluger, que mora em Constanz, na Alemanha,
preteriu o Brasil, onde vive sua família, para passear na Turquia. Fator
determinante: a estadia num resort, com refeições, custava a metade do preço.
Há consenso de que
o Brasil é um país caro, e isso tem afetado a imagem do país.
"O custo
Brasil é inviável para o turista médio internacional", diz o professor
Mario Carlos Beni, para quem os valores desencorajam até mesmo quem tem renda
em euros, libras ou ienes, moedas mais valorizadas. "Não é só a passagem
aérea, mas o hotel e os serviços também."
Por causa das
grandes distâncias entre as cidades brasileiras, os turistas que querem
conhecer várias regiões se assustam com o custo.
Uma boa opção seria
uma ação conjunta na região para oferecer pacotes incluindo vários países da
América do Sul, não só o Brasil.
"Enquanto o
turismo no mundo todo é intrarregional, aqui ainda é muito fraco",
reconhece Flavio Dino, presidente da Embratur.
Ele mostra uma
conta: se o Brasil conseguir atrair metade dos 10 milhões de americanos que
viajam pela América Latina, excetuando o México, as receitas saltariam dos US$
774 milhões anuais para cerca de US$ 7 bilhões --metade da meta para 2020.
O Brasil também
perdeu com a desaceleração dos desembarques de argentinos no Brasil. O país
vizinho é a principal origem de visitantes para cá: 1,67 milhão de pessoas em
2012. Também lidera o ranking em gastos: US$ 1,38 bilhão no período.
É quase o dobro do
que gastaram os EUA, segundo lugar da lista. Os 586 mil americanos
desembolsaram US$ 774 milhões. No caso da Argentina, enquanto o desembarque
cresceu 14% em 2011, avançou só 4% em 2012, segundo a Embratur.
E há pouco motivo
para otimismo: no último mês de março, o governo vizinho elevou a 20% os encargos
das compras internacionais com cartões, para limitá-las.
O presidente
nacional da Associação Brasileira de Agências de Viagens, Antonio Azevedo,
conta um caso curioso: grandes operadores internacionais oferecem como destino
Foz do Iguaçu, um dos cartões postais do Brasil, com entrada pelo Paraguai.
Argumento: o vizinho é mais econômico.
Para evitar
distorções assim, a Embratur vai investir em 13 escritórios internacionais cuja
missão é promover o Brasil. Serão 3 nos EUA, 2 na América do Sul, 7 na Europa e
1 no Japão. Hoje, não há
nenhum.

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