segunda-feira, 6 de maio de 2013

TRABALHO DE FLÁVIO DINO À FRENTE DA EMBRATUR É DESTAQUE NA FOLHA DE SÃO PAULO


Flávio Dino
Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, o presidente da Embratur, Flávio Dino, alerta que altos preços praticados no turismo interno do Brasil tem feito com que mais brasileiros viajem ao exterior, em vez de fazer trajetos nacionais. Dino explica que o problema só será superado quando for resolvida a questão dos altos preços de alguns serviços turísticos no Brasil.

O jornal Folha de S. Paulo deste domingo trata do problema do déficit na conta externa de turismo do Brasil - quando o que os brasileiros gastam em viagens ao exterior supera o que os estrangeiros gastam em viagens no Brasil.

Entre 2011 e 2012 (desde o início da gestão de Flávio Dino à frente da Embratur), o fluxo do turismo internacional no país cresceu 20% acima da média mundial. Em um ano, o número de turistas cresceu 4,5%. Mas, para aumentar a arrecadação com o turismo no Brasil, é necessária ação conjunta entre setores público e privado.

“O Ministério do Turismo, que cuida das ações internas, tem se esforçado tem se esforçado para que os brasileiros viajem mais pelo Brasil e para que tenhamos preços melhores. Mas muita coisa depende do setor privado,” disse Dino.

Em ação recente, a Embratur interveio na alta dos preços de hotéis durante eventos internacionais realizado no Brasil. Um caso emblemático foi o ocorrido durante a Rio+20, em que diversos visitantes deixariam de vir ao país devido às altas tarifas da estadia. Flávio Dino atuou como mediador com o setor de hotéis e houve diminuição dos preços cobrados, evitando a baixa no número de participantes do evento.

Outros exemplos de política de atração de turistas internacionais promovida pela Embratur com a diminuição dos preços dos pacotes turísticos é que Flávio Dino defende a política de “céus abertos” no Brasil - uma forma de tentar diminuir os valores das passagens aéreas em trechos nacionais – e a aceleração do fim da obrigatoriedade dos vistos para americanos e brasileiros.

Veja abaixo, matéria completa do jornal Folha de S. Paulo:



Preços limitam a visita de turistas e até de brasileiros
Pacotes para o Caribe ou a Turquia ficam mais baratos que viagem ao Nordeste; escritórios promoverão Brasil

Embratur vai abrir 13 escritórios para promover o Brasil em países do exterior; hoje, não há nenhum

DE BRASÍLIA

A  advogada Liane Magalhães fez as contas: ir à praia na Republica Dominicana era mais barato do que passear uma semana na Bahia. Grávida de seis meses, a economista Patrícia Correia montou um roteiro de descanso e compras em Miami, nos EUA.

Enquanto isso, a mestre em linguística Fabiana Pfluger, que mora em Constanz, na Alemanha, preteriu o Brasil, onde vive sua família, para passear na Turquia. Fator determinante: a estadia num resort, com refeições, custava a metade do preço.

Há consenso de que o Brasil é um país caro, e isso tem afetado a imagem do país.

"O custo Brasil é inviável para o turista médio internacional", diz o professor Mario Carlos Beni, para quem os valores desencorajam até mesmo quem tem renda em euros, libras ou ienes, moedas mais valorizadas. "Não é só a passagem aérea, mas o hotel e os serviços também."

Por causa das grandes distâncias entre as cidades brasileiras, os turistas que querem conhecer várias regiões se assustam com o custo.

Uma boa opção seria uma ação conjunta na região para oferecer pacotes incluindo vários países da América do Sul, não só o Brasil.

"Enquanto o turismo no mundo todo é intrarregional, aqui ainda é muito fraco", reconhece Flavio Dino, presidente da Embratur.

Ele mostra uma conta: se o Brasil conseguir atrair metade dos 10 milhões de americanos que viajam pela América Latina, excetuando o México, as receitas saltariam dos US$ 774 milhões anuais para cerca de US$ 7 bilhões --metade da meta para 2020.

O Brasil também perdeu com a desaceleração dos desembarques de argentinos no Brasil. O país vizinho é a principal origem de visitantes para cá: 1,67 milhão de pessoas em 2012. Também lidera o ranking em gastos: US$ 1,38 bilhão no período.

É quase o dobro do que gastaram os EUA, segundo lugar da lista. Os 586 mil americanos desembolsaram US$ 774 milhões. No caso da Argentina, enquanto o desembarque cresceu 14% em 2011, avançou só 4% em 2012, segundo a Embratur.

E há pouco motivo para otimismo: no último mês de março, o governo vizinho elevou a 20% os encargos das compras internacionais com cartões, para limitá-las.

O presidente nacional da Associação Brasileira de Agências de Viagens, Antonio Azevedo, conta um caso curioso: grandes operadores internacionais oferecem como destino Foz do Iguaçu, um dos cartões postais do Brasil, com entrada pelo Paraguai. Argumento: o vizinho é mais econômico.

Para evitar distorções assim, a Embratur vai investir em 13 escritórios internacionais cuja missão é promover o Brasil. Serão 3 nos EUA, 2 na América do Sul, 7 na Europa e 1 no Japão. Hoje, não há nenhum.

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