quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Questão indígena em Barra do Corda: incompetência e omissão dos governos estadual e federal

BR-226, entrada da Reserva Canabrava-Foto: Josué Moura
Estou pasmo! Agora pela manhã assisti os coleguinhas da Mirante forçando a barra para tentar salvar a pele da governadora Roseana e do Estado do Maranhão, no que se transformou num festival de incompetencia e omissão a questão indígena e o mais recente episódio em Barra do Corda, onde há cinco dias a BR -226 está interditada. 

Interdição na BR-226
Era como se tudo fosse culpa da Polícia Rodoviária Federal que lá não tem um posto de fiscalização. Lembrados pelo entrevistado, o superintendete da PRF, de que o cerne da questão é o atraso no  repasse de verbas da educação por parte do governo estadual para os indígenas, que por sua vez revoltados com isso resolveram interditar a estrada, os coleguinhas insisitiram que  os problemas na área da reserva não são de agora e que existem 40 mandados de prisão não cumpridos.

Barraca com artesato indígena, as margens da BR-226-Fto:Josué Moura


Tudo bem, a constatação é até correta, os problemas não são novos, mas a quem cabe o cumprimnento desses mandados de prisão,  a Polícia Rodoviária Federal? Não, quem deveria cumprir esses mandados é a Polícia Civil do Maranhão, que por sua vez pode até pedir a ajuda da PM, PF e PRF. Então não caberia aos colegas da Mirante fazer esses questionamentos ao superintendente da PRF do Maranhão.

Trafego quase todo mês pela BR-226 em direção à Presidente Dutra e Dom Pedro, onde  mantemos um jornal. Naquelas paragens, como em quase todo o Maranhão, as leis de trânsito são ignoradas, não há realmente a  presença da PRF, carros e motos trafegam de qualquer maneira e pessoas são transportadas sem os nescessários cuidados exigidos pela legislação, mas a culpa pela questão indíegena que tantos problemas têm causado a índios e não índios, não é da PRF. Essa instituição é penas um elo desativado no que deveria ser um conjunto de forças responsáveis pela paz e a tranquilidade naquela  região.

O que ocorre na questão indígena é mesmo um festival de incompetencia e omissão, da Funai e dos governos estadual e federal. Se todos assumissem suas resposnsabilidades  nada disso estaria acontecendo.

Vejam que o Ministério da Justiça já ordenou que a PF, PRFe Funai assumissem as negociações, chamando a secretaria de Educação ou governo estadual também para dar uma resposta. A Justiça Federal no Maranhão também já ordenou que a secretaria de Educação estadual faça logo o repasse da verba aos indígenas. Então, o que está acontecendo? Cadê o secretário Raposo e  a governadora Roseana Sarney?

Conheço muito bem a situação indígena em Barra do Corda. O que impera ali mesmo é o descaso das autoridades, a ignorância e extrema pobreza dos sivílcolas, muitos deles já conrrompidos ou viciados  com os maus costumes dos chamados "civilizadores". O que se vê ali é a falta quase total de assistência governamental para que os índios saiam desse estágio atual, utilizando melhor a terra e  os poucos  recursos existentes na área da reserva. A pobreza é tão grande que mulheres e crianças ficam expostas  a todo tipo de perigo na beira da estrada, não fazendo pedágio como diz a imprensa, mas pedindo esmolas aos que por ali passam.

Nesse momento também aflora a discriminação contra os índios. Ouço pessoas defendendo as velhas idéias atrasadas de que "índio é mesmo preguiçoso", ou que lá só tem  bandidos.                      

Meu Deus! Assim como em todo grupo humano lá tem mesmo de tudo, mas a maioria  dos índios são gente de bem que merecem a atenção dos governos e a compreensão de todos nós.

Por fim desconfio da versão do delegado no episódio recente quando afirma que foi atacado, deliberadamente pelos índios. Sabemos muito bem como agem as chamadas "otoridades" que rotineiramente se sentem acima do bem e do mal, tratando com os "civilizados" muita vezes  com arrogância e violência,  imaginem quando têm que  tratar com índios. 

Espero que a Polícia Federal, organismo que detém hoje um alto nível de confiança da opinião pública, investigue melhor esse episódio para que mais uma vez a corda não arrebente do lado mais fraco. 

Vamos agora aguardar que a governadora e seu secretário de Educação resolvam sair do esconderijo, pondo fim a interdição da BR e tudo volte à normalidade.




Um comentário:

Blog do Marcelo Lira disse...

Como você havia citado, o trem está sem maquinista, assim como vai ficar nos próximos quatro anos. A eleição está ganha, o poder foi mantido, o Estado financeiramente comprometido em função da campanha que utilizou a máquina pública. Mas em 2012 a estratégia de exploração da estrutuda midiática voltará para eleger prefeitos e vereadores da oligarquia, cessando logo após o pleito, par retornar em 2014...