sexta-feira, 5 de agosto de 2011

"A liberdade de imprensa não pode ser interditada nem mesmo pelo Presidente da República”, declarou Valéria Macedo.

Deputada denuncia crise entre polícia e imprensa de Imperatriz e pede providencias à governadora e ao secretário de Segurança Pública do Maranhão

Deputada Valéria Macedo (PDT)
 A deputada Valéria Macedo (PDT) ocupou a tribuna na manhã desta quinta-feira (4), para advertir que está ocorrendo um grave problema entre a imprensa de Imperatriz e a Polícia Civil do Maranhão.

Segundo ela, o problema iniciou-se há três meses, quando a imprensa, que cobre os fatos ocorridos na área policial, criticou de forma veemente as constantes fugas de presos, na Delegacia do Primeiro Distrito Policial, o chamado Plantão Central de Imperatriz.

Desde então, segundo a deputada, os jornalistas passaram a ser tratados com rispidez, chegando até a serem proibidos de adentrarem ao balcão do plantão, sendo obrigados a permanecer do outro lado da rua, para noticiar fatos policiais.

Valéria Macedo relatou que, recentemente, por ocasião da apresentação de um réu confesso de assassinato, inclusive do irmão do prefeito de Montes Altos, houve confusão pois o delegado Leonardo André Carvalho praticamente impediu o trabalho da imprensa, além de posteriormente se negar a dar informação sobre o caso.

“E dias depois esse mesmo delegado, de maneira totalmente imotivada, expulsou um repórter interino do Bandeira 2 da TV Difusora Sul, o Leo Costa, das dependências do Plantão Central. O que foi um verdadeiro abuso”, afirmou a deputada.

“A imprensa de Imperatriz é ordeira e não há motivo para a crise entre duas instituições que tem por objetivo cuidar do interesse da coletividade. O Estado Democrático de Direito em que vivemos, especialmente no momento em que vivemos uma ordem jurídica e democrática. A imprensa são os olhos da nação. A liberdade de imprensa não pode ser interditada nem mesmo pelo Presidente da República”, declarou Valéria Macedo.

Ela lembrou que, há cerca de uma semana, o deputado federal Chiquinho Escórcio e o presidente da Câmara de Imperatriz tentaram resolver a crise envolvendo jornalistas que cobrem as notícias policiais e delegados da Polícia Civil de Imperatriz. O delegado geral da Polícia Civil, Norton Ribeiro, esteve em Imperatriz e participou de reunião na Câmara Municipal com os delegados e o diretor regional da Polícia Civil, Francisco de Assis Ramos, ocasião em que foram tomadas medidas para que o acesso da imprensa ao Plantão Central fosse restabelecido.

Ainda assim, segundo a deputada Valéria Macedo, o delegado Leonardo André Carvalho, pivô da discórdia por ter expulsado o apresentador interino do Bandeira 2, Léo Costa, da TV Difusora, “resolveu intimidar os repórteres na abertura de procedimentos e solicitação de fitas de entrevistas e matérias policiais, coisas que nós consideramos inaceitáveis no Estado Democrático em que vivemos”.

Valéria Macedo citou o episódio em que a Dra. Carolina Cardoso assinou um ofício requisitando da Bandeirante local matéria veiculada em programa do repórter Fidelis Uchoa, da TV Band, “com ameaças de instauração de inquérito, para apurar suposta infração penal envolvendo o delegado Dr. Leonardo. A suposta infração penal cometida pelo jornalista Fidelis Uchoa teria sido o fato de este ter expressado em seu programa que o Delegado Leonardo no seu entendimento, no entendimento do repórter, teria agido com abuso de autoridade”.

Dirigentes do Sindicato dos Jornalistas e Radialistas, da Associação da Imprensa de Imperatriz e da Associação da Imprensa da Região Tocantina estiveram na manhã desta terça-feira, em busca de um advogado, e mantiveram contato com Marco Aurélio, esposo da deputada Valéria Macedo, que prometeu fazer a defesa dos comunicadores, caso estes venham a ser alvo de ações de justiça ou inquéritos perpetrados por membros da Polícia Civil.

A imprensa de Imperatriz, ressaltou Valéria Macedo, sempre se notabilizou por ser livre, por ser democrática, aberta e participativa na cobertura dos fatos e acontecimentos da cidade da região. “Não podemos aceitar que sejam colocadas amarras na imprensa de Imperatriz e na liberdade de expressão, pois isto não é compatível com o estágio da nossa democracia”.

Ao encerrar seu pronunciamento, a deputada Valéria Macedo fez um apelo solicitando ao Governo do Estado, notadamente ao secretário de Segurança Pública, Aluisio Mendes, e à governadora Roseana Sarney, que tomem providências urgentes, no sentido de pôr fim a esta crise entre a Polícia Civil e a imprensa de Imperatriz.

6 comentários:

Caugusto disse...

Será que eu li direito? Desde quando "solicitação de fitas de entrevistas e matérias policiais" são "coisas (...) inaceitáveis no Estado Democrático em que vivemos”? Longe de ser algo inaceitável, isso é um direito do cidadão. Sinceramente, os repórteres policias – de resto importantíssimos quando trabalham sob os ditames da lei - estão reclamando de barriga cheia. Primeiro, porque já existe normatização do trabalho da imprensa em Imperatriz (vide instrução normativa do MPF, que, dentre outras coisas, estabelece que cabe ao delegado autorizar ou não a captação de imagens dentro da delegacia). E, segundo, porque já bamburram em descolar uma sala de imprensa dentro da delegacia, com direito a central de ar paga por nós e tudo mais. Agora convenhamos, isso sim é um absurdo. Desde quando empresas privadas de comunicação (instituições com fins lucrativos) têm direito a utilizar sala em prédio público para fins particulares e sem nenhum ônus? Só aqui em Imperatriz mesmo.

Eliane disse...

Pressão que não vai colar, Sr. delegado lá do Rio de Janeiro que chega aqui pensando que somos todos otários. MPF, mesmo sendo MPF, não pode normatizar trabalho de imprensa, até a lei já caiu. De polícia sim, exiigir resultados, como por exemplo: quantos crimes de assassinato foram desvendados nos últimos meses? Ah, eram apenas pessoas do "submundo do crime". Segundo, a sala, o prédio, tudo ai é nosso, do povo. E vcs não pagam nada, recebem de nós para fazer muito pouco...

Anônimo disse...

Tá na hora de trocar o comando da PC de Imperatriz. Dr. Assis é um bom profissional, mas não consegue se impor diante de seus comandados.(Alvaro, do santa Rita)

Caugusto disse...

Eliane, vejo que você está equivocadíssima. Vamos por pontos.

Isso que o delegado está fazendo - procurar a justiça - não é pressão. É uma busca de direito. Tudo dentro da lei.

Independente de MPF, existe algo chamado dignidade humana. A atividade jornalística pode ser feita de forma competente, sem expor as pessoas a situações vexatórias. Alguns repórteres, entretanto, nem esperam o PM preencher o ROP e já acionam a sua metralhadora de perguntas. Outros, como aconteceu recentemente, incentivam drogadas a se estapearem na permanência do DP. Você já ouviu falar do direito de não ter sua imagem veiculada sem autorização. Já ouviu falar do direito de ficar calado? Felizmente ou infelizmente, esses direitos são de todos - do bêbado que bagunçou no bar ao pedófilo preso em flagrante.

Realmente a polícia vai de mal a pior. Concordo plenamente. Creio que isso se dá pelo pouco efetivo policial do Estado - um dos menores do Brasil - e pela sua má qualificação. Creio, também, que a deputada Valéria Macedo tem noção disso e sei que ela vai lutar pra que o governo faça mais concursos e capacite mais os nossos policiais.

Engraçado, por que essa mesma imprensa que se mobilizou nesse caso não invadiu a PF pra ter acesso às imagens e nomes dos supostos hackers presos? Por que não lançaram “notas de repúdio” diante da negativa da PF em divulgar nomes? Quando exigirá uma sala de imprensa no prédio da PF também?

Pra finalizar, você confunde alhos com bugalhos, Eliane. Vá lá que o prédio é público, do povo, mas a imprensa não é o povo. O nome que está escrito lá é “Sala de Imprensa”, não é sala do povo. E ao contrário do povo, a imprensa utiliza aquele espaço pra ganhar dinheiro através de seus programas policiais. A imprensa é empresa privada, entendeu? E quando disse que nós, cidadãos, estamos pagando a central de ar que eles usam, eu o disse baseado na premissa que que pago impostos, sou contribuinte.

P. S.: Você se referiu a mim como se eu fosse policial. Não sou. Sou cidadão imperatrizense com o maior orgulho.

Eliane disse...

Falácias meu caro policial ou admirador de polícia. Nínguém está defendendo que a dignidade humana seja violada - como a polícia sempre violou -equilíbrio, é o que se quer, pois temos leis, então que cada um responda , não precisa delegados quererem agora ensinar como se faz o trabalho da imprensa...

Caugusto disse...

Eliane, é difícil estabelecer uma discussão com você.

Rebato com argumentos consistentes os seus equívocos acerca desse assumto, ponto por ponto, e o máximo que você faz é xingar-me de falacioso.

Mesmo assim desejo uma boa semana para você.