segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Para que você não se deixe cegar pelas cortinas de fumaça do sistema

O sistema sabe o que faz, sabe o que pretende, sabe onde quer e onde pode chegar. O cidadão imbecilizado, não. Descuidado e despolitizado, sem memória e sem conhecimento maior, sem método e sem capacidade crítica, o analfabeto político pode ser usado como o perfeito idiota, como multiplicador de tudo o que o sistema precisa para manter o controle do que há de mais precioso numa sociedade humana – a opinião livre e fundada na análise correta, se possível, profunda, de modo a poder contrapor-se à carga de criminalização de todos os homens públicos, mantendo-os acuados e pautados pelos grandes grupos que estão por cima da carne seca e são até endeusados, conseguindo aparecerem como motivo de orgulho pelo sucesso de sua desbragada agiotagem. 

Vejam: essa semana, ninguém fez um único reparo ao anúncio de que só o Banco Itaú lucrou R$ 14 bilhões em 2011, algo que representa mais do que os orçamentos de muitos Estados e municípios: mais, vale lembrar, do que os gatos do governo com o popularmente conhecido “Bolsa -Família”, programa compensatório que alcança 40 milhões de pessoas. 

Nenhum fanfarrão da idiotice, que tem na internet todo o espaço do mundo para repassar os produtos bem elaborados do sistema, parou para pensar de onde um agiota, que vive da especulação financeira, tira tantas pepitas. Não ocorre ao imbecil que toda essa dinheirama emana da mais vil espoliação que encurala a atividade verdadeiramente produtiva.

Decididamente fazer conta não é hábito de nossos patrícios. Não lhe ocorre calcular que paga um monte de apartamentos quando compra um financiado em 240 meses. Que paga três automóveis, quando compra por um em 60 vezes.
 
Sequer esse repassador dos embustes do sistema se dá ao trabalho de comparar o lucro dos agiotas com a inadimplência de suas vítimas. Isso mesmo. Só no cartão de crédito, essa bomba que todos usamos crentes de nossa pujança, a inadimplência chegou a 26,7% segundo números do Banco Central. 

Em outras palavras, de cada 4 brasileiros, um está pendurado nos juros mais caros do mundo e não tem de onde tirar um tostão para cobrir seus sonhos de consumo. Além de ser a mais alta de todas as modalidades de crédito, os números mostram que o patamar registrado em dezembro do ano passado, de 238,6% ao ano, é a maior desde junho de 2000. 

Segundo a Anefac, os juros desse amigo da onça que você usa vorazmente é mais do que o dobro da média das operações de crédito para pessoas físicas, de 114,8% ao ano. Superam até mesmo as taxas cobradas pelos bancos no cheque especial, que também são extremamente elevadas (162% ao ano em dezembro de 2011)... (leia mais)

Nenhum comentário: