terça-feira, 15 de maio de 2012

Fio da História

Por Igor Lago


Quando atendi ao convite para ajudar os companheiros de meu pai, Jackson Lago, após o seu falecimento, a reorganizar o PDT maranhense, sabia dos desafios a serem enfrentados e que já se colocavam naquela ocasião.

A cassação de seu mandato de governador pelo TSE, com a alegação de abuso de poder político, ficará para a história dos absurdos cometidos em nosso país a favor dos poderosos de plantão. Não só os daqui de nosso estado, mas, também, os de Brasília. Foi um daqueles momentos de nossa história no qual um poder se submete às vicissitudes de outro, sem a menor dissimulação, cuidado ou pudor.

Alguns, de setores das próprias oposições, não entenderam sua posição, sua disposição, sua missão. Inclusive, integraram-se ao coro da mídia oligárquica ou à indiferença. Preferiram o caminho da dissensão. 

Custou-lhe muito tempo, conversa e paciência para consolidar a sua natural candidatura em 2010. Traições, abandonos, calúnias foram acontecimentos corriqueiros desde sua cassação.

Dentre os que compreenderam aquele momento histórico, não posso deixar de citar o ex-ministro do STJ, o Sr. Edson Vidigal que, ao lado de Jackson Lago, candidatou-se a senador da República. 

Na campanha eleitoral de 2010, Jackson Lago e seus fiéis aliados enfrentaram não somente o poder econômico, político, social e cultural da Oligarquia. Tiveram que enfrentar uma situação inusitada, a insegurança jurídica de sua candidatura imposta pelo mesmo TSE, que lhe cassara o mandato no ano anterior, e que havia decidido sobre a aplicação do projeto de Lei Ficha Limpa, num total desrespeito à Constituição, nossa lei maior, que os nossos juízes deveriam ser os primeiros a respeitar e defender. 

Apesar do TRE maranhense haver deferido a sua candidatura, a Procuradoria Eleitoral do Maranhão pediu sua impugnação ao TSE que, numa manobra típica de elites jurídicas tupiniquins, engavetaram o seu processo durante toda a campanha eleitoral. Julgaram-no na última noite de campanha pela televisão e pelo rádio. O estrago estava feito de forma irreparável! Jackson Lago foi colocado como “ficha suja” por seus adversários durante toda a campanha. O resultado todos sabemos: Não houve nem segundo turno! Na noite da apuração, revelou sua frustração diante de um resultado tão distante de suas esperanças de poder reunir todas as oposições no segundo turno, e derrotar, definitivamente, as forças do atraso que tanto humilham e aprisionam os destinos de nosso povo: “Foi uma campanha desigual, sem a normalidade democrática e de muita deslealdade”.

A decepção, a tristeza, a infâmia abalaram a sua saúde e aceleraram a sua morte. 

Os desafios de que falávamos são os que enfrentamos nesse período que tivemos a honra de reorganizar o seu Partido, em 211 dos 217 municípios de nosso estado, enfrentando a resistência dos donos do PDT nacional (que tem outros planos para o nosso PDT, ligados a projetos pessoais de alguns de nosso e de outros partidos!); a sua política desrespeitosa e desastrada para o nosso Partido, quando sequer respeitam os nossos líderes, militantes históricos e mais representativos; a soberba de seus seguidores locais vazios e escassos de conteúdo para oferecer uma alternativa política real e renovadora; a forma antidemocrática com que decidiu contra a prorrogação de nossa Comissão Estadual (que não excluía ninguém!); o total desprezo pela ideia de Convenção, isto é, de Democracia. Sem citar o período, inédito, de informalidade a que fomos submetidos. 

Agora, assistimos ao triste espetáculo protagonizado pelos atuais dirigentes do canetaço. O resultado está aí aos nossos olhos: Um partido mal representado a serviço de interesses pessoais, de mandatos, de cargos, de projetos eleitorais pequenos. Uns, inclusive, já foram passados para trás, uma vez que já não atendem mais às demandas do momento, não valem mais nada, foram usados e gastos. Dissolveram uma comissão por outra em São Luis - uma pior que a outra! Tudo para atender a um projeto nitidamente pessoal, tanto dentro do partido quanto fora, para conseguir mandato e comprometer, assim, a melhor alternativa para o PDT que é a candidatura própria para prefeito de São Luis. Pior, pretendem apoiar uma candidatura sem identidade política maior. O autoritarismo e a falta de representatividade política dos dois senhores que tomam conta dos destinos de nosso partido é categórico e desastroso. O triste espetáculo é contínuo. Revelam-se a cada dia não terem nenhuma identidade com a história e os princípios que marcaram a vida e a razão de ser desse instrumento de luta social que foi e, a depender da sua imensa maioria, continuará a ser o PDT de Jackson Lago, Neiva Moreira, Leonel Brizola, Darcy Ribeiro e tantos outros. 

Mas, para tão urgente e árdua tarefa, é preciso pegar o fio. O fio da História. Aqui, em São Luis, esse fio é representado por todos os companheiros do Comitê de Resistência Democrática Jackson Lago que, no momento, lutam pela candidatura própria do ex-ministro Edson Vidigal a prefeito de São Luis.

O PDT nacional cortará mais esse fio contrariando as suas próprias resoluções?

Igor Lago
São Luis, 15 de maio de 2012.

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