quinta-feira, 17 de maio de 2012

A FONTE NÃO PODE SER DESCARTADA POR SER CRIMINOSA, AVALIA JORNALISTA ITALIANO


O jornalista italiano Paolo Mieli foi um dos participantes do debate “O papel das novas mídias no fortalecimento da liberdade de imprensa”, realizado nessa terça-feira, 15. Também estavam presentes os colunistas de O Globo, Flávia Oliveira e Ancelmo Góis, que mediaram o evento na sede do veículo.

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Paolo Mieli foi o convidado de O Globo em evento
 sobre a liberdade de imprensa 

(Imagem: Divulgação/Zimbio)
Convidado pelo Instituto Italiano de Cultura do Rio de Janeiro em colaboração com a Associação Cultural Anita Garibaldi, Mieli foi categórico ao falar sobre a legitimidade do contato de repórteres e fontes. Ele declara que não cabe ao jornalista discriminar fontes - mesmo que seja "criminosa" - e que não se deve impor obstáculos na busca por informação, desde que a imprensa não passe a servir aos interesses destas fontes, que obviamente, dirão o que as convém.
O momento da realização do evento de O Globo é pertinente, depois de boatos envolvendo a relação do redator-chefe da Veja em Brasília, Policarpo Junior, e o contraventor Carlinhos Cachoeira. Revistas, blogs e a TV Record chegaram a pôr em xeque a ética do jornalista da Editora Abril por “supostas” 200 ligações trocadas com o “bicheiro”. Os telefonemas caíram para dois e os delegados da Polícia Federal ouvidos na CPMI do Cachoeira disseram que o envolvimento entre os dois não passou de “jornalista com sua fonte”.
Numa fase em que há inúmeras explosões de casos de corrupção e escândalos sexuais, os poderes políticos reagem pedindo restrições das leis de liberdade de imprensa, avalia o italiano. Mieli, que é especialista em estudos sobre a liberdade de imprensa e diretor da editora RCS Libri Spa, afirma que “as leis que poderiam limitar a publicação de dados no impresso funcionariam apenas como uma barragem para o oceano que representa da internet”.
Ainda sobre a disseminação de informações na web, o jornalista ressalta aspectos importantes do jornalismo tradicional, como a hierarquização das notícias e a simplificação da mensagem. Ele diz que a internet é um meio de informações fragmentadas e que “sem a hierarquização da notícia, você se perde. E como um mar de dados é muito fácil esconder informações”.
Ao analisar as novas mídias de um ponto de vista político, o italiano reconhece a eficácia na rapidez da difusão de temas diversos, mas também o fato de que estas mídias se tornam nulas no momento em que é necessário parar para refletir. “É possível fazer explodir uma questão, mas não lidam com o comportamento de longo prazo, de longa duração.”
O jornalista, que já dirigiu o Corriere della Sera e o La Stampa, acredita que no futuro o jornal impresso será algo mais elitista. “Uma parte da população encontrará seu status nisso. Abrir um jornal significa dedicar um tempo à informação” (Jacqueline Patrocínio, do site Comunique-se)

2 comentários:

Anônimo disse...

So que nas gravações é puro e explicito como Demóstenes e Cachoeira chegavam quase como editores da revista, de inclusive decidir a data, recuar ou avançar quanto em divulgar ou não tal documento. Esse é o problema. A relação era de favorecimento ao ilícito. Creio que A revista veja que se diz ser o suprassumo do jornalismo investigativo sabia das falcatruas do Mafioso Carlinhos Cachoeira e agia para o seu favorecimento.

Helton Coelho - Professor

Ed Wilson Ferreira Araújo disse...

Colegas jornalistas, blogueiros, militantes, estudantes e professores de Imperatriz e região. Gostaria de compartilhar o lançamento do meu livro com vocês, dia 22/05(terça), às 17h, no campus da UFMA Imperatriz. Peço aos colegas blogueiros uma força na divulgação.

LIVRO SOBRE RÁDIOS COMUNITÁRIAS SERÁ LANÇADO EM IMPERATRIZ

O professor do Curso de Comunicação da UFMA, Ed Wilson Ferreira Araújo, realiza terça-feira 22/05, em Imperatriz, o lançamento do livro “Rádios Comunitárias no Maranhão: história, avanços e contradições na luta pela democratização da comunicação”. O evento será às 17h, no campus II (Centro de Ciências Sociais, Saúde e Tecnológicas - CCSST).
A obra é fruto da dissertação de Ed Wilson Araujo no mestrado em Educação (UFMA), concluído em 2004, e contemplada no plano editorial do Centro de Ciências Sociais (CCSo), juntamente com produções acadêmicas de professores em diversas áreas.
O livro reúne relatos da organização do movimento de rádios comunitárias, desde 1996, quando iniciaram as primeiras articulações que posteriormente levaram à criação da Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária (Abraço) no Maranhão.
O trabalho disponibiliza informações sobre os primeiros passos da organização das emissoras no Maranhão (1996), registra o congresso de fundação da Abraço, em Caxias (1998), as batalhas pela legalização das emissoras e o enfrentamento da repressão da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e da Polícia Federal em várias regiões do Maranhão.
O autor discorreu sobre as convergências entre mídia e hegemonia, com base no filósofo italiano Antonio Gramsci, procurando entender o papel das rádios comunitárias no contexto das lutas pela democratização da Comunicação no Brasil e as especificidades do Maranhão. Conceitos articulados de mídia, Estado, mercado, hegemonia, movimento social e sociedade civil percorrem os caminhos teóricos do livro.
TRAJETÓRIA
Ed Wilson Araújo é um dos fundadores da Abraço no Maranhão, onde atuou como diretor de Formação, coordenando o programa de capacitação dos comunicadores populares através de oficinas e cursos em diversas regiões do estado.
“O livro é fruto do contato com os ativistas das rádios comunitárias em dezenas de municípios onde eu ministrei oficinas e cursos de capacitação. Tudo começou na prática. Depois veio a teoria”, explica o autor.
A obra aborda também das contradições e desvios no curso do movimento de rádios comunitárias, registrando o perfil das emissoras e a grade de programação, onde o pesquisador verificou a prática de proselitismo político e religioso em sucessivas emissoras.
“O livro é apenas uma tentativa de sistematização do trabalho de centenas de comunicadores populares espalhados pelo Maranhão, que perceberam nas rádios comunitárias uma possibilidade de alternativa midiática no cenário de concentração dos meios eletrônicos de comunicação”, enfatiza Araújo.
REGIÃO SUL
O lançamento do livro em Imperatriz ocorre no momento de reorganização da Abraço na região Tocantina, onde a entidade é representada por Vanúsia Gonçalves (rádio Arca, de Açailândia) e Antonia Meneses (rádio Brejão , de São Francisco do Brejão). Em Imperatriz, Ed Wilson foi professor do Curso de Jornalismo da UFMA, de 2007 a 2009.
Na região sul do Maranhão, a rádio Primavera, de Riachão, coordenada pelo comunicador Manga Rosa, é uma das emissoras citadas no livro.
O livro tem apresentação da professora doutora Cicília Peruzzo, de São Paulo, autora consagrada na área de comunicação e movimentos populares. O prefácio é do professor doutor Carlos Agostinho Couto, pesquisador do Departamento de Comunicação da UFMA e autor do livro “Mídia, estado e oligarquia”
SOBRE O AUTOR
Ed Wilson Ferreira Araújo é graduado em Comunicação/Jornalismo e mestre em Educação, ambos pela UFMA. Foi professor da Faculdade São Luís e do curso de Comunicação/Jornalismo na UFMA, em Imperatriz. Atualmente é docente no Departamento de Comunicação / Rádio e TV do campus de São Luís.