terça-feira, 14 de maio de 2013

DELEGACIA DA MULHER DE IMPERATRIZ: ATENDIMENTO É RUIM, CONSTATA PESQUISA

Serviço Público sem qualidade vem prejudicndo as mulheres que procuram a Delegacia da Mulher de Imperatriz. A denúncia foi postada hoje no Facebook, pela militante feminista *Conceição Amorim.
 

Diz ela:

Em recente pesquisa realizada para 
uma monografia de conclusao de especializacão da UFMA com mulheres que foram atendidas nos meses de janeiro, fevereiro e março de 2012 na Delegacia da Mulher de Imperatriz, a maioria das entrevistadas afirmaram que não receberam todas as informações que precisavam, que os profissionais que as atenderam não as deixaram à vontade para perguntar o que precisavam saber. 


Conceição Amorim
Uma das entrevistadas relatou que: “ela nem olhava para mim, escrevia rápido o que eu falava e quando eu tentava explicar mais alguma coisa ela me cortava e dizia que aquilo não tinha importância para o BO”. A maioria delas não foram informadas nem encaminhadas a nenhum outro serviço de atendimento especializado à mulher vivendo em situação de violência existente no município, tais como: Centro de Referência e Atendimento à Mulher; Casa Abrigo; Defensoria Pública; Vara da Mulher; Promotoria da Mulher; Conselho da Mulher ou à Secretaria de Política para Mulher.
 
50% das mulheres afirmaram que se sentiram constrangidas por causa da falta de privacidade na hora do registro do Boletim de Ocorrência, pois  outros funcionários entram e saem na sala de registro sem qualquer anuncio prévio, e, também, que as audiências são remarcadas às vezes pelo fato do acusado não ter sido intimado e nesses casos, elas não serem comunicadas, situação que as obrigam a gastarem com deslocamento, ausência no trabalho e outros transtornos.

  Resumo das queixas do atendimento:

A demora, “nenhuma mulher gasta menos de 3hs para registrar uma queixa;
A falta de sigilo, em função do entra e sai de outros funcionários na sala de registro de ocorrência;
A “falta de educação” dos funcionários e funcionárias que “não cumprimentam ou não respondem os cumprimentos”, o jeito que atendem as pessoas “sem olharem para elas”, de “fazerem cara de deboche”, demonstrando total  indiferença frente ao problema que elas estão vivendo.
 
Visualizamos durante o processo de tabulação dos dados da pesquisa que não existe:
Integralidade nas ações;
acolhimento com escuta ativa;
maior conhecimento e compreensão sobre as relações desiguais e estereotipadas de gênero.
compreensão de questões como, diferença, desigualdade, preconceito e descriminação, revitimização e de conhecimento das legislações, nacional e internacional que norteiam o enfrentamento a violência de gênero, como a própria Lei Maria da Penha.
 
A qualificação dos profissionais é imprescindível para que o trabalho com as mulheres em situação de violência seja de fato pautado em um “Ethos” visando um ordenamento de condutas dos profissionais policiais das delegacias da Mulher pontuadas pelo respeito à dignidade humana, com vistas à implantação de uma sociedade livre de descriminação, opressão e violência contra as mulheres, uma sociedade amorosa e democrática.

Nota do Blog: Indagada por este jornalista sobre qual encaminhamento das constatações da pesquisa, Conceição Amorim disse que vai denunciar essa situação à CPI da Violência Contra a Mulher, da Assembleia Legislativa do Maranhão.

* Conceição de Maria Amorim é militante feminista em Imperatriz – Especialista em Gestão de Políticas Públicas de Gênero e Raça.

Nenhum comentário: