domingo, 13 de julho de 2014

EDUARDO CAMPOS: "O QUE O MARANHÃO QUER HOJE É A MESMA COISA QUE O BRASIL DESEJA: A MUDANÇA"

Eduardo Campos dispara contra Dilma e Aécio, chamando-os de Velha República


Eduardo Campos já é uma figura em constante presença no Maranhão, se pegarmos como exemplo os últimos dois anos. Presente de forma intensa na campanha de Edivaldo Holanda Júnior (PTC), agora o presidenciável vem a São Luís por conta da candidatura de Flávio Dino (PCdoB) e obviamente pela sua. No estado ele tem objetivo de vencer o desconhecimento da população e diminuir a diferença em relação a Dilma, por isso ele adotou o discurso de também fazer parte da oposição ao grupo governista, ao deixar claro que o senador José Sarney (PMDB) não terá espaço em um eventual governo socialista.

Adotando esse discurso, ele afirma que junto com Marina Silva, sua vice-presidente, são os únicos que representam a mudança política no Brasil.

Apesar de adotar esse discurso, Eduardo conta que é possível preservar os avanços promovidos pelos governos petistas nos últimos anos. Sobre sua relação com Aécio Neves, o ex-governador de Pernambuco acredita que nada os igualam, pois tem posicionamentos diferentes desde quando faziam parte do movimento “Diretas Já” em 1984.

Sobre suas propostas para o Maranhão, ele destaca o empenho em desenvolver a economia, principalmente com obras estruturantes como a refinaria, ampliação do porto e construção de estradas.

Confira na íntegra a entrevista:

O Imparcial
 - O candidato Aécio Neves vem afirmando reiteradas vezes que não é um adversário político do senhor. Até que ponto essa relação de amizade entre vocês dois pode ser benéfica para sua candidatura?

Eduardo Campos
 - Desde 1984, quando nas Diretas Já, que eu e Aécio não compartilhamos do mesmo projeto nacional. Ele ficou na base de apoio ao governo de Sarney, depois do Fernando Henrique Cardoso e eu estive na oposição. No governo Lula, eu e Marina estive apoiando o governo, já o Aécio estava no lado oposto. Mas isto não impediu, que tivéssemos uma relação de respeito, dialogamos sobre projetos importantes, temos uma visão política distintas, assim como nossas origens. Já tivemos oportunidades no parlamento de convergir e divergir. O Brasil cansou da polarização entre PT e PSDB. Os brasileiros querem viver um novo ciclo econômico, mas ao mesmo tempo quer conservar as coisas boas como Bolsa Família, o Prouni entre outros projetos.

Eduardo o seu partido passou os últimos 12 anos aliado ao governo petista. Suas propostas terão construção própria ou vão estar escoradas no que o PT construiu ao longo dos últimos anos?

Nós estamos fazendo um programa de governo, fruto de um profundo debate com a sociedade, através da internet, criamos uma plataforma, possibilitando as pessoas de participarem. Realizamos encontros regionais, que mais de 10 mil pessoas puderam participar, tivemos colaborações de pessoas de movimentos sociais. Apresentamos diretrizes de como o Brasil pode preservar conquistas do passado como os programas sociais, mas também avançar, reconduzindo o país ao desenvolvimento econômico.
A gente está vivendo tempos de endividamento das famílias brasileiras, as taxas de juros estão elevadas, precisamos cuidar centralmente da educação, pois é o que pode mudar a realidade brasileira, precisamos acabar com o apertheid que existe hoje no Brasil, onde existe a escola do rico e do pobre, isso não existe mais em Pernambuco. Vamos enfrentar a chaga da violência urbana. Nós vamos fazer com que o país possa cuidar da sua ciência e tecnologia, diminuir as desigualdades regionais, precisamos renovar a gestão pública, aposentando as velhas raposas que estão no centro do governo. Eu e Marina somos a única mudança de verdade para este país, pois se for observar, a velha política tem marcado presença nas duas candidaturas que buscam polarizar a disputa.

Qual a importância do Maranhão para a sua campanha e quais são as suas propostas para o nosso estado?
O que o Maranhão quer hoje é a mesma coisa que o Brasil deseja: a mudança. Nós queremos trazer dias melhores para a nossa população, por isso eu e Marina estamos propondo obras estruturantes para o Maranhão, deixando claro que em nosso governo a refinaria vai sair, o porto vai ter obra para se desenvolver, nós vamos cuidar das pessoas que precisam de saúde, nós vamos reformar e construir rodovias no Maranhão para desenvolver a economia, vamos atrair empresas que gerem empregos para os maranhenses, vamos apoiar a micro e pequena empresária, vamos desburocratizar.

No Maranhão o senhor tem dois candidatos ao governo de partidos aliados. Como vai ficar seu posicionamento?

O Maranhão tem um grande desejo de mudança. O PSB vem ajudando nesse processo de mudança já há alguns ano, inclusive liderando e buscando unificar essa frente que hoje é liderada pelo Flávio Dino. Nós temos uma aliança nacional com o PPL e aqui o partido tem uma candidatura, que garante seu espaço político, mas o meu partido está apoiando Flávio Dino para o governo e Roberto Rocha para o Senado. Nós estamos aqui unidos para ganhar e garantir um novo governo dia 1 de janeiro.

Eduardo, o senhor foi bem claro ao afirmar que Flávio Dino é o seu único candidato no Maranhão. No entanto, Flávio mantém alianças com Aécio e ainda busca a Dilma, como o senhor encara isso?
Eu entendo que tem uma ampla frente, lutando por duas candidaturas diferentes, uma está comigo e a outra com Aécio. Eu entendo que já foi deixado bem claro que o palanque da Dilma é o palanque do Lobão Filho, que é apoiado pelo Sarney. Nós estamos animados com a quantidade de apoios que estão chegando. Quem é oposição no Maranhão, sabe que para mudar o Maranhão e o Brasil é eleger Eduardo e Marina.

Hoje existem 39 ministérios, o senhor chegando ao governo, pretende enxugar a máquina pública?

Nós vamos com certeza reduzir o número de ministérios pela metade, mas isso só será discutido depois da construção do nosso plano de governo.

Como será a sua relação com o senador José Sarney em um eventual governo?
Eu tenho um compromisso com a população brasileira, que devemos governar de outro jeito e não tolero o presidencialismo de coalizão, que justifica 39 ministérios e tanta ineficiência. Tanta gente recebendo em cargos que não tem a menor competência para exerce-los. Eu acho que quem quiser que o Sarney continue no governo vai votar na Dilma.

A candidatura do Roberto Rocha, busca quebrar a hegemonia do PMDB maranhense no Senado. Qual a importância da eleição dele?

O Brasil deixou claro que quer renovar a política, existe um desejo de renovação na Câmara e no Senado. A chegada de Roberto Rocha ao Senado, representa uma geração que sabe fazer um novo jeito de política. Ele vai nos ajudar muito, principalmente para o Maranhão com políticas para saúde, educação, os jovens, idosos e garantir a governabilidade que iniciaremos a partir do dia 1 de janeiro. Tenho certeza que Roberto Rocha será eleito e consequentemente será um grande senador pelo estado do Maranhão.

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