domingo, 3 de maio de 2015

ÍNDIOS K'APOR DENUNCIAM MADEIREIROS PELA MORTE DE CACIQUE E ESTADO CRIA GRUPO ESPECIALPARA INVESTIGAR O CASO

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Cerimônia dos Ka’apor no enterro do cacique
O agente indígena de saneamento Eusébio Ka’apor, 42 anos, da aldeia Xiborendá, da Terra Indígena Alto Turiaçu, foi assassinado no domingo (26) com um tiro nas costas. Ele voltava da aldeia Jumu’e Ha Renda Keruhu, na garupa de uma motocicleta conduzida pelo indígena K.K., quando, por volta das 18h30, dois homens encapuzados os abordaram pedindo que parassem e em seguida acertaram um tiro nas costas de Eusébio.
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Eusébio em entevista ao radialista William Policarpo em Santa Luzia do Paruá
De acordo com indígenas que pediram pra não serem identificados, os responsáveis pelo crime são madeireiros do município de Centro do Guilherme, que mataram Eusébio devido às ações de autofiscalização e vigilância territorial iniciadas em 2013 pelos Ka’apor, que culminaram, em março deste ano, no fechamento de todos os ramais de invasão madeireira da Terra Indígena Alto Turiaçu.  Eusébio era um importante guerreiro no combate à exploração ilegal de madeira na TI e membro do Conselho de Gestão Ka’apor.
O crime aconteceu na entrada do povoado Areal, entre os municípios de Centro do Guilherme e Santa Luzia do Paruá, a 3 km da aldeia Xiborendá. “Ele tinha ido visitar o filho na aldeia Jumu’e Ha Renda Keruhu e estávamos voltando pra casa. Aí, nesse trecho, os dois estavam de tocaia e mandaram a gente parar a moto. Eu vi que eles estavam de capuz e não parei. Foi quando acertaram nas costas dele” conta K.K., que conseguiu levar Eusébio até o povoado para procurar socorro. “Ele morreu por volta de 20h30, quando a gente estava na saída de Nova Olinda, levando ele pro hospital”, explica.
 Segundo a Comissão Pastoral da Terra, a luta dos Ka’apor em defesa do território desagrada madeireiros há algum tempo. Vários atos de violência  já ocorreram e os indígenas reivindicam a proteção do território. A Assembleia Ka’apor deste ano confirmou o compromisso com a defesa da floresta. A promiscuidade existente entre madeireiros e até autoridades locais incentiva a exploração ilegal da madeira, um crime lucrativo.
O Governo do Estado por meio da Secretaria de Segurança divulgou uma nota que fala das investigações do caso. Leia abaixo;
NOTA
A Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP), por meio da Delegacia Geral, informa que foi criada grupo especial para apurar as circunstâncias do homicídio que vitimou o indígena identificado como Eusébio Ká’Apor. 
A comissão será integrada pelo delegado titular da 8ª Regional de Zé Doca, Henrique Mesquita, titular da delegacia de Santa Luzia do Paruá, delegado Murilo Tavares Pereira, e investigadores. 
De acordo com informações preliminares, o crime ocorreu na madrugada de ontem (27) e o corpo do líder da Aldeia Ximborendá foi encontrado enterrado, com perfuração de arma de fogo, no Povoado Buraco do Tatu, há 40 km de distância da sede – município de Santa Luzia do Paruá.  
São Luís, 28 de abril de 2015. 
Secretaria de Estado da Segurança Pública

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