terça-feira, 15 de dezembro de 2015

E VAMOS DE POESIA?

Congenialidades

* Fernando Atallaia

Por trás de sua boca escura um escuro maior pela manhã
Rasgando a torpe aurora dos dias iguais banhados dos prelúdios de sempre
Por cima de sua luz derramada aos varais um arco de íris à porta fechada batendo da Tranca aos ferrolhos escancarados abertos ao passo
Trôpego, míope, rasante. 

Por dentro de sua mão tateante uma sombra esverdeada de árvore sem os pomares da Relva
A trilha itinerante de sangue, epiderme, nervos, fonemas
À sua boca rasgada em versos febris, atônitos e virgens no ainda

Por dentro de sua saia anágua calçola pano raso de falos, mas panos rasos, sobretudo No adentrando
Onde uma estrela um asceta nos bagos do vão o espaço medrado maior que os Planetas
Onde uma rua uma estreita calçada rompendo às pernas que o mundo abre ao fundo Na imaginação
Passagem de ouriçadas memórias e um olho 
Um olho ao chão
Um olho

Por fora de sua livre palavra
Soluços de lavra às favas da mesa
Por dentro de sua tempestade esquivada as brisas mais tensas
As partes de ceia decaídas ao homem calado aos quintais

Martelos pendurados e facas cochilando às gavetas?
Não é de carne nem de acineto nem tampouco o segredo é feito de silêncios, novos Abissais
Rogai por ti a humanidade sem água no deserto onde nascem escavados os orvalhos Enfermos
Orvalhos tristonhos que não bebem mais olhos nem almas
Que não bebem mais.



*Fernando Atallaia é poeta, de  São José de Ribamar.

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