"Portanto, quero adiantar a vocês, que com a
confirmação dessa Convenção e, consequentemente, a manutenção do status
quo de nosso partido, a minha decisão será a de não continuar no PDT", diz Igor Lago em carta aos companheiros do partido.
![]() |
| Igor Matos Lago |
Em mais uma carta endereçada aos filiados do PDT maranhense, o médico Igor Matos Lago, filho do ex-governador Jackson Lago, denuncia as manobras que recentemente estão consolidando a supremacia dos dirigentes partidários, Carlos Lupi e Manoel Dias, na direção do partido, e avisa que poderá estar deixando o PDT, por não concordar com o que ele considera "um cenário humilhante, profundamente
agressivo à história do partido e à memória de seus fundadores", entre estes seu pai, Jackson Lago.
Igor não relata, mas muitos outros pedetistas maranhenses devem também sair do partido, entregando finalmente a sigla para aqueles que a querem continuar utlizando apenas para suas pretensões por cargos e benesses, baseados no mandonismo sem permitir o discenso partidário.
Leiam a carta que demonstra realmente o ocaso de um partido que já foi o ícone do trabalhismo brasileiro, dirigido não por mercadores, mas por líderes como Leonel Brizola, Darcy Ribeiro, Jackson Lago, Neiva Moreira, entre outros...
----------------------------------------------------------------------------------------------------------
Cara(o)s companheira(o)s,
Escrevo estas linhas para dividir com vocês o nosso pensamento sobre os últimos acontecimentos que envolvem o partido.
Desde
o princípio, e disse aos membros da antiga Comissão Provisória que me
fizeram o convite para assumir a presidência do PDT maranhense, que
estava aceitando aquela missão por papai e pelo seu legado, mas tinha
ciência do quanto seria difícil pela própria realidade nacional e pelos
interesses estaduais de alguns de nossos quadros.
Todos sabem que, após a tomada de nosso PDT pelos
atuais dirigentes, fiz a opção de usar este acontecimento como exemplo
do que tem sido as práticas e ações da dupla nacional, que se
assenhoreou do partido e, aos poucos, transformou-o numa sigla
superficial e aos ditames da fácil política convencional garantida pela
Constituição, que estabelece as instituições partidárias como de direito
privado e se omite a impor regras gerais e básicas para a garantia da
democracia interna e, consequentemente, servir como ferramenta de
aperfeiçoamento da nossa democracia.
Não via, como alguns companheiros e companheiras,
outra forma de atuar diante de um cenário humilhante, profundamente
agressivo à história do partido e à memória de seus fundadores, dentre
eles papai e Neiva Moreira.
Fiz o que pude para divulgar o que aconteceu no PDT
maranhense e, assim, expor as figuras dos dois dirigentes nacionais e
estimular os principais nomes do nosso partido a assumirem a bandeira da
democratização, da reforma estatutária, da gestão transparente, etc.
A posse do ministro Brizola Neto deu um certo alento
para se tentar criar uma alternativa para o partido, uma vez que o
mesmo tem a sua representatividade, além de diminuir a força política do
Lupi sobre o partido.
Entretanto, nem isto foi capaz de encorajar os
nossos principais nomes a assumir aquelas bandeiras, pois preferiram a
conveniente posição do resguardo e cuidados com os seus próprios
interesses - a conhecida zona de conforto! Isto, somado à forma de
atuação do próprio ministro que, infelizmente, preferiu posicionar-se
mais como um aliado da presidente Dilma do que levantar as bandeiras que
preconizamos. (Na reunião do Diretório Nacional de janeiro passado, fez
o discurso que o então ministro Lupi fizera na anterior!).
Mesmo assim, não conseguiu manter-se no próprio
cargo graças às pressões da dupla e do ex-presidente Lula, bem como pela
fragilidade da própria presidente voltada somente para os próprios
interesses da reeleição.
Na minha opinião, a Dilma, que já havia abandonado o
próprio Brizola em 2000-2001 para ocupar cargo no governo Olívio Dutra,
agora, no mesmo dia em que se comemorava os 30 anos de governo Brizola
no Rio, chama o ministro Brizola Neto para comunicar-lhe a sua decisão
já acertada com o Lupi, Manoel Dias e Lula. Com isto, abandona, pisa e
joga sal no próprio legado do Brizola ao "matar"politicamente, dentro do
próprio partido, o seu neto.
Após este absurdo acontecimento, com a nomeação do
Manoel Dias, que representa a volta do Lupi ao MTE, confirmada nas
declarações do novo ministro, o golpeado ministro Brizola Neto não foi
capaz de reagir politicamente no próprio partido e, pelo que ficamos
sabendo por matéria do jornal O Globo(21/03), fez declarações no sentido
de afirmar a sua proximidade à presidente e, pasmem, certo aceno para a
conciliação por meio de seu secretário na posse do novo ministro.
A Convenção está marcada por arbitrariedades da
Executiva Nacional. Marcada somente há 18 dias, apesar de já terem sido
tomadas muito antes todas as providências para a arregimentação de seus
delegados, o estabelecimento de regras absurdas como o apoio de um terço
dos delegados nacionais, o que estabelece o limite de formação de
somente tres chapas, além da não divulgação dos contatos telefônicos e
por email de todos os delegados, a não retomada do V Congresso e sua
fase deliberativa que daria condições de se debater todas as
questões,...
Fizemos a nossa parte, a de colher assinaturas para o
Expresso Consentimento, mas, para termos uma ideia, estas não valeram
de nada, ou quase nada, porque a regra de um terço dos delegados
convencionais nos tira essa possibilidade no Maranhão e na maior parte
dos estados. Como vocês todos sabem, delegados nacionais no Maranhão
seriam somente o Julião, Penha, Weverton e eu, ou seja, não tínhamos
como cumprir com a regra dos burocratas nem mesmo no nosso estado.
Alguns companheiros ainda tem esperança de anular a
Convenção com uma ação judiciária entrada no Rio. Uma anterior, entrada
pelo advogado do Brizola Neto, foi um fracasso. Esqueceram de juntar ao
processo o próprio estatuto do partido.
Decidi não ir à Convenção Nacional após esses acontecimentos e avisei aos companheiros do Rio.
Compreenderam
a minha posição e, na manhã da Convenção, recebi um telefonema do
deputado estadual Paulo Ramos para me dizer que também estava saindo da
mesma. Não quis ficar até o fim pelo absurdo que estava acontecendo.
Passaram o rodo no partido. Tiraram o Brizola Neto da vice-presidência,
nomearam a presidente nacional gaúcha do movimento de Mulheres e o
deputado Vieira da Cunha para a segunda e terceira vice-presidência.
Ambos tem a missão de enfrentar a deputada Juliana Brizola, a mais
votada do partido no RS. O Manoel Dias continuará secretário-geral e
nomeou seu office-boy André Menegotto, para secretário-adjunto.
Lá, seria, como foi, a festa da pusilanimidade.
Seria,
como foi, a festa dos apaniguados que receberam passagens, hotel e
transporte com o dinheiro de nosso fundo partidário - dinheiro público,
diga-se de passagem-, para a aclamação do "Lupi, eu te amo", para o
engessamento do partido.
Seria, como foi, a definitiva iconoclastia.
Por fim, conforme havíamos estabelecido, tínhamos o prazo até a Convenção.
Ficarei no aguardo da decisão da justiça quanto a esta última ação, da qual, como sempre, não tenho esperanças.
Esta ação, caso anule a Convenção, deixa o PDT na
informalidade. Sobreviverá somente os Diretórios estaduais. Imagino que
terão um prazo para a constituição do partido nacional. Mas, mesmo que
isto aconteça, a maioria destes Diretórios está nas mãos espúrias.
Portanto, quero adiantar a vocês, que com a
confirmação dessa Convenção e, consequentemente, a manutenção do status
quo de nosso partido, a minha decisão será a de não continuar no PDT.
Creio que cumpri a minha missão partidária até aqui.
Agradeço a toda(o)s pela solidariedade, pelos ombros, pela caminhada.
Estarei à disposição para outros embates sempre.
Saudações Trabalhistas!
Abraço-os afetuosamente,
Igor Lago.

Nenhum comentário:
Postar um comentário