domingo, 24 de março de 2013

IGOR LAGO PODE DEIXAR O PDT

"Portanto, quero adiantar a vocês, que com a confirmação dessa Convenção e, consequentemente, a manutenção do status quo de nosso partido, a minha decisão será a de não continuar no PDT", diz Igor Lago em carta aos companheiros do partido.
Igor Matos Lago
Em mais uma carta endereçada aos filiados do PDT maranhense, o médico Igor Matos Lago, filho do ex-governador Jackson Lago, denuncia as manobras que recentemente estão consolidando a supremacia dos dirigentes partidários, Carlos Lupi e Manoel Dias, na direção do partido, e avisa que poderá estar deixando o PDT, por não concordar com o que ele considera "um cenário humilhante, profundamente agressivo à história do partido e à memória de seus fundadores", entre estes seu pai, Jackson Lago.

Igor não relata, mas muitos outros pedetistas maranhenses devem também sair do partido, entregando finalmente a sigla para aqueles que a querem continuar utlizando apenas para suas pretensões por cargos e benesses, baseados no mandonismo sem permitir  o discenso partidário.

Leiam a carta que demonstra realmente o ocaso de um partido que já foi o ícone do trabalhismo brasileiro, dirigido não por mercadores, mas por  líderes como Leonel Brizola, Darcy Ribeiro, Jackson Lago, Neiva Moreira, entre outros...
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Cara(o)s companheira(o)s,

Escrevo estas linhas para dividir com vocês o nosso pensamento sobre os últimos acontecimentos que envolvem o partido.

Desde o princípio, e disse aos membros da antiga Comissão Provisória que me fizeram o convite para assumir a presidência do PDT maranhense, que estava aceitando aquela missão por papai e pelo seu legado, mas tinha ciência do quanto seria difícil pela própria realidade nacional e pelos interesses estaduais de alguns de nossos quadros.


Todos sabem que, após a tomada de nosso PDT pelos atuais dirigentes, fiz a opção de usar este acontecimento como exemplo do que tem sido as práticas e ações da dupla nacional, que se assenhoreou do partido e, aos poucos, transformou-o numa sigla superficial e aos ditames da fácil política convencional garantida pela Constituição, que estabelece as instituições partidárias como de direito privado e se omite a impor regras gerais e básicas para a garantia da democracia interna e, consequentemente, servir como ferramenta de aperfeiçoamento da nossa democracia.


Não via, como alguns companheiros e companheiras, outra forma de atuar diante de um cenário humilhante, profundamente agressivo à história do partido e à memória de seus fundadores, dentre eles papai e Neiva Moreira.


Fiz o que pude para divulgar o que aconteceu no PDT maranhense e, assim,  expor as figuras dos dois dirigentes nacionais e estimular os principais nomes do nosso partido a assumirem a bandeira da democratização, da reforma estatutária, da gestão transparente, etc.


A posse do ministro Brizola Neto deu um certo alento para se tentar criar uma alternativa para o partido, uma vez que o mesmo tem a sua representatividade, além de diminuir a força política do Lupi sobre o partido.


Entretanto, nem isto foi capaz de encorajar os nossos principais nomes a assumir aquelas bandeiras, pois preferiram a conveniente posição do resguardo e cuidados com os seus próprios interesses - a conhecida zona de conforto! Isto, somado à forma de atuação do próprio ministro que, infelizmente, preferiu posicionar-se mais como um aliado da presidente Dilma do que levantar as bandeiras que preconizamos. (Na reunião do Diretório Nacional de janeiro passado, fez o discurso que o então ministro Lupi fizera na anterior!).


Mesmo assim, não conseguiu manter-se no próprio cargo graças às pressões da dupla e do ex-presidente Lula, bem como pela fragilidade da própria presidente voltada somente para os próprios interesses da reeleição.


Na minha opinião, a Dilma, que já havia abandonado o próprio Brizola em 2000-2001 para ocupar cargo no governo Olívio Dutra, agora, no mesmo dia em que se comemorava os 30 anos de governo Brizola no Rio, chama o ministro Brizola Neto para comunicar-lhe a sua decisão já acertada com o Lupi, Manoel Dias e Lula. Com isto, abandona, pisa e joga sal no próprio legado do Brizola ao "matar"politicamente, dentro do próprio partido, o seu neto.


Após este absurdo acontecimento, com a nomeação do Manoel Dias, que representa a volta do Lupi ao MTE, confirmada nas declarações do novo ministro, o golpeado ministro Brizola Neto não foi capaz de reagir politicamente no próprio partido e, pelo que ficamos sabendo por matéria do jornal O Globo(21/03), fez declarações no sentido de afirmar a sua proximidade à presidente e, pasmem, certo aceno para a conciliação por meio de seu secretário na posse do novo ministro.


A Convenção está marcada por arbitrariedades da Executiva Nacional. Marcada somente há 18 dias, apesar de já terem sido tomadas muito antes todas as providências para a arregimentação de seus delegados, o estabelecimento de regras absurdas como o apoio de um terço dos delegados nacionais, o que estabelece o limite de formação de somente tres chapas, além da não divulgação dos contatos telefônicos e por email de todos os delegados, a não retomada do V Congresso e sua fase deliberativa que daria condições de se debater todas as questões,... 


Fizemos a nossa parte, a de colher assinaturas para o Expresso Consentimento, mas, para termos uma ideia, estas não valeram de nada, ou quase nada, porque a regra de um terço dos delegados convencionais nos tira essa possibilidade no Maranhão e na maior parte dos estados. Como vocês todos sabem, delegados nacionais no Maranhão seriam somente o Julião, Penha, Weverton e eu, ou seja, não tínhamos como cumprir com a regra dos burocratas nem mesmo no nosso estado.


Alguns companheiros ainda tem esperança de anular a Convenção com uma ação judiciária entrada no Rio. Uma anterior, entrada pelo advogado do Brizola Neto, foi um fracasso. Esqueceram de juntar ao processo o próprio estatuto do partido.


Decidi não ir à Convenção Nacional após esses acontecimentos e avisei aos companheiros do Rio.

Compreenderam a minha posição e, na manhã da Convenção, recebi um telefonema do deputado estadual Paulo Ramos para me dizer que também estava saindo da mesma. Não quis ficar até o fim pelo absurdo que estava acontecendo. Passaram o rodo no partido. Tiraram o Brizola Neto da vice-presidência, nomearam a presidente nacional gaúcha do movimento de Mulheres e o deputado Vieira da Cunha para a segunda e terceira vice-presidência. Ambos tem a missão de enfrentar a deputada Juliana Brizola, a mais votada do partido no RS. O Manoel Dias continuará secretário-geral e nomeou seu office-boy André Menegotto, para secretário-adjunto. 


Lá, seria, como foi, a festa da pusilanimidade.

Seria, como foi, a festa dos apaniguados que receberam passagens, hotel e transporte com o dinheiro de nosso fundo partidário - dinheiro público, diga-se de passagem-, para a aclamação do "Lupi, eu te amo", para o engessamento do partido.


Seria, como foi, a definitiva iconoclastia.

Por fim, conforme havíamos estabelecido, tínhamos o prazo até a Convenção. 

Ficarei no aguardo da decisão da justiça quanto a esta última ação, da qual, como sempre, não tenho esperanças.


Esta ação, caso anule a Convenção, deixa o PDT na informalidade. Sobreviverá somente os Diretórios estaduais. Imagino que terão um prazo para a constituição do partido nacional. Mas, mesmo que isto aconteça, a maioria destes Diretórios está nas mãos espúrias.


Portanto, quero adiantar a vocês, que com a confirmação dessa Convenção e, consequentemente, a manutenção do status quo de nosso partido, a minha decisão será a de não continuar no PDT. 

Creio que cumpri a minha missão partidária até aqui.

Agradeço a toda(o)s pela solidariedade, pelos ombros, pela caminhada.

Estarei à disposição para outros embates sempre.


Saudações Trabalhistas!

Abraço-os afetuosamente,

Igor Lago.

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