quinta-feira, 29 de agosto de 2013

LOBÃO, ENERGIA SUJA NÃO!


Ativistas do Greenpeace protestam em frente ao Ministério de Minas e Energia, em Brasília, contra o retorno das térmicas a carvão aos leilões de energia

Ativista com máscara do ministro Edson Lobão faz leilão de energia sobre pilha de carvão, em protesto contra o retorno dessa fonte poluente (©Greenpeace)
 
Uma tonelada e meia de briquete de carvão foi derramada em frente ao prédio do MME (Ministério de Minas e Energia), em Brasília, na manhã de hoje. Sujos dos pés à cabeça por uma poeira negra, ativistas abriram uma faixa com a mensagem: “Lobão, carvão no leilão não!”. Outro ativista, vestido com uma máscara do ministro Edson Lobão, escalou a pilha de carvão para leiloar, pessoalmente, uma das piores fontes energéticas que existem.

O protesto foi um recado do Greenpeace ao ministro contra a volta do carvão ao leilão de energia A-5 – empreendimentos com início de operação em até cinco anos –, que acontece nesta quinta-feira, 29. Para deixar claro o que a organização pensa sobre o uso dessa fonte de energia, uma grande pepita de carvão com uma carta a Lobão foi protocolada na entrada no edifício.

Há quatro anos sem serem ofertadas ao mercado elétrico, as usinas térmicas movidas por essa fonte voltam com força ao cenário energético brasileiro, em um retrocesso histórico do governo. De todos os combustíveis fósseis, o carvão é o que mais emite gases do efeito estufa. Para cada kWh de eletricidade produzida, um quilo de CO2 é despejado na atmosfera. Para efeitos comparativos, a cadeia de produção da energia eólica emite 12 gramas de CO2 para cada kWh produzido.

“A decisão de trazer o carvão de volta à matriz energética é injustificável. O governo insiste em retroceder a largos passos e evidencia uma visão míope e limitada ao curto prazo”, critica Renata Nitta, da campanha de Clima e Energia do Greenpeace. “Enquanto o mundo inteiro busca formas mais limpas de gerar energia, o Brasil ignora seu imenso potencial de fontes renováveis – como solar, eólica e biomassa – para optar pela fonte mais suja de todas.”

Recentemente, o Banco Mundial e o Banco Europeu de Investimentos anunciaram restrições ao financiamento de usinas a carvão. A recomendação era injetar dinheiro nessas plantas “somente em raras circunstâncias”, nos casos em que o país “não tenha alternativa”. Em 2009, o próprio governo brasileiro baniu o carvão dos leilões energéticos, justamente pelos altos níveis de poluição do ar e de emissões de gases estufa.

Agora, a fonte volta com tudo: 41% da energia oferecida no leilão do dia 29 é de carvão. A explicação oficial para a retomada dessa fonte é a segurança energética do país. Com uma matriz muito dependente de hidrelétricas, o governo decidiu diversificar a matriz com energia suja. Como se faltassem alternativas renováveis. Investimentos importantes para o desenvolvimento de fontes limpas já estão sendo desviados para financiar o carvão, como a recente decisão de zerar os impostos para a compra desta matéria prima. Junto com a poeira, a pergunta que fica no ar é: quem está ganhando com isso?

“É claro que o Brasil precisa diversificar sua matriz e reduzir a dependência das hidrelétricas. Mas usar térmicas a carvão é leviano, quando se tem um potencial mal explorado de outras energias renováveis”, diz Nitta. “Se aproveitarmos entre 5% e 10% do nosso potencial solar, já seria suficiente para atender à atual demanda nacional de energia. A cogeração a partir do bagaço de cana geraria o equivalente a três usinas de Belo Monte. E a recente explosão da produção eólica no país tornou o preço da fonte muito competitivo. No último leilão, seu preço atingiu R$110 o MW. Agora, o carvão está saindo a R$ 140”.

Ela acrescenta que essas fontes têm toda capacidade de complementar o atual sistema. Durante o período de seca, quando normalmente os níveis dos reservatórios caem, é quando se tem o maior volume de radiação solar e de ventos. Além disso, a possibilidade que as renováveis oferecem de geração perto dos centros consumidores torna mais segura e econômica sua distribuição, evitando o pesadelo dos apagões.

Este cenário de soluções o Greenpeace apresentou na véspera do protesto, em uma coletiva de imprensa onde foi divulgado o relatório [R]evolução Energética. O documento mostra que nas próximas quatro décadas, o país pode ter os setores elétrico, industrial e de transporte alimentados majoritariamente por energia limpa: 66,5% de sua matriz pode ser movida por fontes como vento, sol e biomassa. Quando se considera apenas a matriz elétrica, essa possibilidade salta para 92%. “É uma questão de escolha: queremos olhar para o futuro e fazer uma revolução energética ou continuar presos a fontes sujas e ultrapassadas?”, questiona Nitta.

Acesse na íntegra o relatório [R]evolução Energética: http://bit.ly/1aIXdlT
A deputada Valéria Macedo defendeu na última terça-feira (28), na Tribuna da Assembleia Legislativa, a PEC 300, que estabelece um piso salarial para os policiais militares. Conforme ela, os protestos de julho na cidade de São Paulo e Rio de Janeiro e praticamente todas as cidades do Brasil, inclusive São Luís e Imperatriz e outras cidades do Maranhão, indicam claramente a insatisfação da população com os serviços públicos prestados pelo estado e por alguns municípios.
Acredita Valéria Macedo que as demandas da sociedade são múltiplas, complexas e não há soluções simples. "Esse quadro demanda dedicação da classe política e muita responsabilidade", disse Valéria, acrescentando que a população quer soluções para problemas na área da saúde pública, da educação, da segurança pública, de infraestrutura, de logística e de mobilidade urbana.
PEC 300
Autora de uma Moção na Assembleia de apoio à Proposta de Emenda Constitucional 300, referente ao piso nacional dos policiais, a deputada afirmou que a segurança pública é um setor que exige solução urgente, pois segundo dados do Mapa da Violência de 2013 a taxa de homicídios na população brasileira era de 24,3 por 100 mil habitantes e saltou para 27,1 em 2011. "É o maior índice entre os 12 países mais populosos do mundo, quase quatro vezes maior que o do Paquistão", registrou.
Na opinião da deputada, para fazer frente à demanda por segurança pública é necessário aumentar o efetivo das polícias e cuidar da carreira dos policiais militares com mais distinção.
"Nesse sentido, apresentei aqui na casa a moção de apoio à PEC 300, que depende de segunda apreciação da Câmara dos Deputados. Com uma contrapartida do governo federal é perfeitamente possível equiparar em todo o país as carreiras dos policiais militares à PM e Corpo de Bombeiros de Brasília", defendeu.
Entende Valéria Macedo que ao longo de décadas os militares tiveram seus direitos suprimidos, uma vida regrada e limitada. Acha que a proximidade da votação desta PEC no Congresso Nacional é a oportunidade de refazer parte desse grande equívoco.
Para Valéria, a PEC 300 é a realização de um sonho de reconhecimento profissional, uma vez que concede uma remuneração justa e proporcional àqueles que diuturnamente colocam suas vidas em risco para resguardar a ordem e a paz à população, sendo que a desvalorização desse profissional, desta categoria, reflete em seu cotidiano familiar e social, uma vez que em alguns estados, a exemplo do Maranhão, suas carreiras foram comprometidas por não haver uma ascensão adequada, o que gera extrema insatisfação.
Valéria ressaltou que teria sido indagada por um jornalista que lhe perguntou por que a mesma defende tanto pisos e cargas horárias para servidores?
"Eu defendo o piso salarial para os agentes comunitários de saúde, para os enfermeiros, do qual temos projetos tramitando nesta Casa, para os técnicos auxiliares de enfermagem, para os professores. Eu defendo agora, mais uma vez, também a PEC 300 dos policiais militares, pois acredito que só teremos serviços públicos de qualidade na saúde, na educação, na segurança pública, quando esses servidores tiverem salários e carreiras compatíveis com as suas atribuições", disse.
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