EM CARTA ENVIADA AOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO DEPUTADO DOMINGOS DUTRA (SDD) FAZ UMA RETROSPECTIVA DE SUA TRAJETÓRIA POLÍTICA, FALA DO SEU GESTO DE ABRIR MÃO DE UMA POSSÍVEL CANDIDATURA AO SENADO E MANDA UM RECADO PARA O RESTANTE DA OPOSIÇÃO.
VEJAM A CARTA NA ÍNTEGRA:
MAIS UM GESTO
Considero
importante iniciar dizendo que não tenho antecessor nem patrono
político. Parido no quilombo Saco das Almas, filho de lavrador e mãe
quebradeira de coco babaçu. Chequei onde estou abrindo aceiros e
picadas com unhas e dentes nesta selva maluca que é a política. Graça à
proteção de Deus e da vovó de Jesus, Nossa Senhora de Santana, minha
madrinha de batismo e padroeira de Buriti de Inácia Vaz, onde nasci,
posso dizer que escapei!
Sou uma das poucas lideranças políticas que nunca fui e nem vim da Casa Grande. Nunca trastejei no combate à oligarquia. Nos 36 anos de militância política fiz diversos gestos de sacrifícios e humildade para unir a oposição maranhense.
Em 1996, renunciei
a um exitoso mandato de deputado federal para ajudar Jackson Lago a ser
prefeito de São Luís, sendo seu vice. De quebra, entreguei o mandato de
deputado federal para Neiva Moreira. Naquela eleição todas as
lideranças nacionais do PT, de Lula a Benedita da Silva pousaram em São
Luís. Se ao invés de vice de Jackson eu tivesse sido candidato a
prefeito pelo PT, talvez, o eleito teria sido João Castelo, com Juarez
Medeiros de Vice. Hoje a historia poderia ser outra, Já que a eleição de
Jackson para prefeito de São Luís naquele ano o manteve no cenário
político do estado, sendo decisiva para sua eleição de Governador em
2006.
Em 2000,
rompi com Jackson em face da aliança que fez com o PFL da então
Governadora Roseana Sarney para a sua reeleição a prefeito de São Luís.
Fui candidato a vereador, combatendo e enfrentando a popularidade dos
dois. Não me elegi. Jackson brindou com champanhe a minha derrota.
Apesar disto, dez anos depois, em 2006, no segundo turno, eleito
deputado federal na chapa de Vidigal, e como presidente estadual do PT,
apoiei Jackson Lago Governador, enfrentando o Presidente Lula, que em
Timon declarou apoio a Roseana Sarney.
Se
não estivéssemos na presidência do PT, juntamente com Lobato, Franklin
Douglas, Márcio Jardim, Sílvio Bembem, Jomar Fernandes, Teresinha
Fernandes, Valdinar Barros, Nonato de Alcântara, Salvador Fernandes,
Chico Gonçalves, Pereira, Manoel da Conceição, Dada, Dutra e Dalva de
Caxias e centenas de outras petistas, LULA por certo teria pousado em
São Luís e em Imperatriz, colégios eleitorais que decidiram a vitória de
Jackson e ai, por certo, hoje a história seria outra.
Em 2010,
eu, Manoel da Conceição e Teresinha Fernandes fizemos greve de fome
durante 10 dias no Plenário da Câmara Federal em defesa da candidatura
de Flávio Dino e em protesto à intervenção violenta e ilegal que
entregou o PT para Oligarquia. Enfrentei a República e a máquina dos
governos federal e estadual. Reelegi-me deputado federal andando a pé
482 quilômetros, em 82 municípios, cantando a musica vamos vencer o
Futi. Venci!
Em 2013, com o coração partido e a alma dilacerada, interrompi 33 anos e 08
meses de história no PT, partido que dedique a minha juventude e corri
risco de vida para em liberdade ajudar na eleição de Flávio Dino.
Agora em 2014,
apesar de bem posicionado nas pesquisas e com amplas possibilidades de
vitória, retirei a minha pré-candidatura ao Senado em favor de Roberto
Rocha. Fiz mais este gesto para consolidar a unidade dos partidos e
movimentos de oposição, condição indispensável à vitória de Flavio Dino,
Governador.
O
Maranhão chegou ao fundo do Poço. Somos o único estado controlado por
uma ditadura civil e familiar. O Chefe da oligarquia que só não disputou
o cargo de Papa porque o Vaticano não é no Brasil, exerceu os postos
mais importantes da politica brasileira, usando o poder que acumulou
para transformar o Maranhão no Estado mais pobre do Brasil. A oligarquia
internacionalizou o Maranhão pelas mazelas e tragédias das casas de
palha, de pessoas bebendo água de cacimba, carregando sua produção nas
costas de jegue, pescando com jequi e enterrando os entes queridos em
cova rasa.
É
questão de responsabilidade política e de amor aos milhões de
maranhenses que ainda vivem na luz da lamparina não repetir os erros do
passado como em 2002 e 2010, em que deixamos de eleger o governador e o
senador por birra dos líderes da oposição.
No pleito de 2014 não há espaço para aventuras, vaidades e muito menos para projetos e fuxicos de natureza pessoal.
Flavio
Dino não é um salvador da pátria, porém é a opção que temos. A sua
história pessoal e política revela que não fará igual à oligarquia. A
eleição de Flávio Dino completará a transição política que não pode ser
concluída por Jackson Lago, em face da cassação injusta. Esta transição é
fundamental para recolocar o Maranhão no mapa do Brasil, oxigenando os
espaços de poder e abrindo oportunidades para novas gerações.
Com meu gesto de desprendimento, criaram-se as condições políticas para transformar as eleições de 2014 em um plebiscito,
em que de um lado haverá as forças do atraso lideradas pelo Futi e de
outro, partidos, movimentos e cidadãos que querem libertar o Maranhão da
besta fera.
A
bola agora está com os camaradas Flávio Dino e Roberto Rocha. Que sejam
humildes, transparentes e capazes de unir partidos e sociedade, pois
somente a mais ampla unidade será capaz de garantir a alternância de
poder que o povo maranhense precisa.
Amém! 
Deputado Federal Domingos Dutra, advogado e deputado federal.

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