Em artigo, Flávio Dino comenta as bases para um Maranhão Democrático, que conjugue desenvolvimento econômico e social.
NOVAS INSTITUIÇÕES PARA O DESENVOLVIMENTO
* Flávio Dino
Por que algumas nações são ricas e outras pobres? No bestseller de
economia – Por que as nações fracassam –, Daron Acemoglu e James
Robinson constroem uma teoria relevante para responder à questão e
demonstram, após 15 anos de pesquisa, que são as instituições políticas e
econômicas que estão por trás do êxito ou do insucesso dos povos.
Na
base desse raciocínio, o desenvolvimento só será virtuoso se tais
instituições deixarem de ser parasitárias, e puderem resistir às
tentativas das elites de reforçar seu próprio poder, em proveito apenas
de uma pequena minoria. Acemoglu e Robinson poderiam ter usado o
Maranhão como exemplo para suas teses.
O
Estado possui enormes disparidades, fruto da má distribuição de
riquezas, do acesso desigual aos serviços públicos e aos bens de uso
comum, como os recursos naturais. E vive o desafio de ser potencialmente
rico e ter os piores indicadores sociais do Brasil.
Não
é preciso perder tempo com explicações absurdas que atribuem à cultura
ou mesmo à geografia as razões de tal atraso social. O Maranhão é pobre
porque seus cidadãos são ainda hoje privados de instituições políticas
capazes de gerar incentivos básicos para garantir o desenvolvimento.
Enquanto
o Brasil consolidou o seu sistema democrático de governo, capaz de
garantir a alternância de poder e resultados econômicos positivos, no
Maranhão o poder político continua concentrado nas mãos de uma elite que
não tem interesse em assegurar direitos básicos da população e não
investe na prestação de serviços públicos capazes de fomentar o
progresso do Estado: 39,5% da população vive com menos de R$ 140,00 por
mês, o pior resultado do país nesse indicador.
Serviços
básicos, como o acesso regular à água tratada, não estão acessíveis
para mais de 3 milhões de maranhenses e apenas 7,6% dos domicílios do
Estado têm ligação com a rede geral de esgoto.
Uma
das consequências diretas da falta de saneamento é a alta mortalidade
infantil, quase o dobro da média nacional. E, infelizmente, poderíamos
continuar indefinidamente a elencar números escandalosos, reveladores de
dores e sofrimentos irreparáveis.
É
possível reverter essa realidade. Temos muitas vantagens comparativas: a
abundância e diversidade dos recursos naturais, com destaque para a
água; a localização estratégica; energia abundante etc. O aumento do
comércio mundial pode ser fator real para o desenvolvimento do Estado.
Com uma localização privilegiada, o Maranhão está mais próximo dos
mercados norte-americano e europeu e, pelo acesso através do canal do
Panamá, das importantes economias asiáticas.
Precisamos
implantar um novo modelo de desenvolvimento, que olhe inclusive para a
formação de um mercado de consumo de massas – por intermédio de
atividades como a agricultura, a pecuária, a pesca e a aqüicultura. A
estruturação desse mercado interno irá gerar oportunidades mais sólidas
de negócios na indústria, no comércio e nos serviços.
Além
disso, é preciso criar uma espécie de “rede de inteligência do bem”,
rompendo barreiras que hoje limitam o desenvolvimento dos setores mais
dinâmicos da economia, que dependem fortemente da inovação, da
tecnologia e da capacidade criativa.
Entre
outros setores, o turismo deve ser dirigido de forma estratégica e
rentável, pois se trata de uma cadeia complexa e de uso intensivo de
recursos humanos, isto é, tem aptidão de gerar muitos empregos. O
patrimônio cultural do Estado é diferenciado, abrangendo edifícios,
artes, comidas, usos e costumes.
O
Maranhão tem todas as condições de ter uma economia competitiva, mas
requer um governo capaz de conciliar o crescimento com a inclusão
econômica e social dos setores mais pobres da população.
O
primeiro passo, como sublinhado na obra Por que as nações fracassam, é a
transformação das instituições políticas, garantindo o fim do longo
domínio de uma elite parasitária cujos únicos interesses são: extrair
renda de forma não produtiva e a sustentação do seu próprio poder
político.
Há
uma janela de oportunidades para mudar esse estado de coisas, atraindo o
setor empresarial e as organizações da sociedade civil para participar
do esforço de erradicação da pobreza no Maranhão. É hora de
conquistarmos instituições do século 21.
* Flávio Dino, advogado e professor de Direito
Ambiental na Universidade Federal do Maranhão. Foi juiz federal,
deputado federal e presidente da EMBRATUR.

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