domingo, 15 de fevereiro de 2015

"90% HONESTO" JOÃO ALBERTO É INDICADO PARA PRESIDIR CONSELHO DE ÉTICA DO SENADO - FOLHA QUESTIONA INDICAÇÃO

O guardião da ética

Em 1990, era prefeito de Bacabal e assumiu o governo do Estado após a renúncia de Epitácio Cafeteira. A Assembleia alegou que a posse era ilegal. Ele cercou o palácio e se fechou no gabinete com a faixa no peito e um revólver 38 na mão

BERNARDO MELLO FRANCO
Folha de São Paulo

BRASÍLIA - O Congresso deve ter um ano agitado, com a investigação de dezenas de parlamentares citados na Operação Lava Jato. A tensão está no ar, mas ainda há quem diga não estar preocupado com o volume de acusações contra colegas. É o caso do senador João Alberto Souza, do PMDB do Maranhão.

Aos 79 anos, ele vai presidir o Conselho de Ética, que julga os processos de quebra de decoro. Foi indicado por Renan Calheiros (PMDB-AL), um dos principais políticos citados no escândalo da Petrobras.

Na contramão do noticiário, João Alberto diz não saber quais colegas correm o risco de serem denunciados ao Supremo Tribunal Federal por suspeita de receber propina.

"Quem foi citado até agora? Eu ainda não vi nada. Estou no Senado todo dia e não vi", diz ele. "Não tem nenhum fato concreto. Não existe nada, só especulação", insiste.

O senador presidirá o Conselho de Ética pela quinta vez. Em 2001, tentou arquivar processo contra Jader Barbalho (PMDB-PA), que seria preso meses depois no escândalo da Sudam. "A questão do Jader não me convenceu. Tenho a consciência tranquila", diz, ao relembrar o caso.

Ele contesta a ideia de que foi escolhido para blindar Renan. "É uma especulação que eu não aceito. Não sou guiado por ninguém", afirma.

A pressão da opinião pública não costuma dobrar o senador. Em 2013, ele foi o único a votar contra a cassação imediata de colegas condenados a mais de quatro anos de prisão. A proposta passou por 61 votos a 1.

Aliado de José Sarney, o maranhense entrou na política pela Arena, partido que sustentava a ditadura militar. Em 1990, era prefeito de Bacabal e assumiu o governo do Estado após a renúncia de Epitácio Cafeteira. A Assembleia alegou que a posse era ilegal. Ele cercou o palácio e se fechou no gabinete com a faixa no peito e um revólver 38 na mão. "Naquela época, todo mundo andava armado", justifica. E hoje? "Não ando mais", responde.

Nota do Editor do Blog:

João Alberto se notorizou quando foi governador pela Operação Tigre, ação policial que prendia supostos bandidos e sem passar pelo crivo da Justiça eram sumariamente executados. A operação dirigida pelo finado Coronel Rui Salomão, começou bem, mas depois degringolou, quando policias passaram a matar por dinheiro e praticar atrocidades contra inocentes, como foi o caso dos irmãos Noleto, dois Carpinteiros que a mando do pai, por causa de uma disputa por bens, foram executados por policias com requintes de crueldade.

A operação Tigre foi mais um dos grandes absurdos cometidos pelo reinado da oligarquia através do preposto João Alberto que chegou a recomendar que dali pra frente os maranhenses poderiam dormir com as portas abertas que não seriam roubados. Um grande engôdo,ainda bem que os maranhenses não acreditaram nele.

De fidelidade canina ao amigo e correligionário do oligarca  José Sarney, João Alberto justificando uma das grandes mazelas do Maranhão, que são as condições de moradia de grande parte ainda do povo maranhense, disse que isso era cultural, que "o povo mora em casa de palha por que gosta e  é mais fria".

Outra pérola proferida por João Alberto e que ganhou destaque foi quando afirmou que não existe político totalmente correto e que ele mesmo só era  90% honesto. Talvez por isso mesmo o seu parceiro Renan Calheiros tenha resolvido lhes entregar a presidência da Comissão de Ética do Senado. 

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