quinta-feira, 10 de outubro de 2013

OS NOVOS COMUNISTAS

EDITORIAL DO JORNAL PEQUENO, 10 DE OUTUBRO

“Comunista come criancinha”. A terrível propaganda no melhor estilo Goebels, criou, de fato, pânico na população durante o decorrer dos regimes de exceção no Brasil. Serviu para incutir no povo a idéia pavorosa e mentirosa de que os ditos subversivos brasileiros planejavam, em aliança com a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, alguma espécie de holocausto no país.

Palavra por palavra os comunistas, enquanto sonhavam com o fim do capitalismo selvagem, com o fim da propriedade privada, uma sociedade tão igualitária que até dispensaria em algum tempo a existência do Estado, engoliu esse massacre e a histeria coletiva que provocava a simples menção do regime sonhado. No final foram massacrados, presos, exilados, atirados à clandestinidade pela propaganda e pelos fuzis fulminantes dos regimes de exceção.

Por isso hoje é interessante que, mesmo já sabendo todos que os comunistas querem salvar e não massacrar criancinhas, eles continuem provocando medo no Maranhão. São comunistas bem diferentes, é claro, que vão em festas de reggae, dançam bumba-boi e quadrilha, bebem vinhos importados e cachaça da terra e, podem acreditar, a maioria crê em Deus. Mas assustam porque agora podem votar e ser votados, não defendem mais a luta armada como saída para o socialismo e aprenderam a manejar algumas armas do capitalismo. Eles, eternos defensores do partido único, sabem hoje como se movimentar em meio a tantos partidos políticos, permitem alianças antes nunca imagináveis, aprenderam o valor das pesquisas e estatísticas no universo social e brigam pelo voto palmo a palmo, além do que a “pequena burguesia” é uma de suas mais fortes áreas de influência.

No Maranhão os comunistas não causam mais medo nenhum ao povo e pode-se até dizer, a julgar pelo quadro que se desenha, que o povo os ama, aceita e quer vê-los governar. E, precisamente por isso, causam medo aos donos do poder. Percebe-se em textos nos quais o termo comunismo é usado de forma pejorativa, no temor de que o PT reedite no Maranhão a aliança com o PC do B, na raiva hidrófoba que dedicam ao secretário de comunicação e presidente do Partido, Márcio Jerry, na vigília minuciosa ao horário de trabalho do presidente da Embratur, Flávio Dino, na perseguição institucional sistemática a seus aliados.
Os comunistas se tornaram influentes demais. Os donos do poder não se sentem mais seguros nem mesmo quanto ao apoio de Dilma Roussef a seus candidatos. No PED do PT todas as chapas (seis) são contra a chapa do vice-governador. O temor é tanto que o grupo Sarney tentou filiar no PT o Gondim e a Paulinha Lobão, imediatamente descartados pela Executiva Estadual. E já estão dizendo que “isso é coisa de comunista!” Tanto que proibiram os deputados de deixar o PMDB.
E a gente achando que no Brasil ninguém mais tinha medo de comunista. 

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