sexta-feira, 1 de março de 2013

LOUIS XIV: "CADA VEZ QUE EU NOMEIO ALGUÉM PARA UM CARGO, FAÇO 100 PESSOAS DESCONTENTES E CRIO UM INGRATO"

Prefeitos reeleitos e principalmente os eleitos pela primeira vez, atravessam momentos de muita pressão e desafios administrativos. 

Ontem no Encontro de prefeitos realizado pelo Sebrae de Imperatriz a choradeira era geral. O local se tornou um verdadeiro "vale de lágrimas", onde os prefeitos  de nossa região se queixavam das pressões que estão recebendo de aliados e partidários por cargos, empregos, etc. Outros lamentavam as condições em que receberam seus municípios.

A situação é a mesma em todo o Maranhão. Alguns prefeitos reeleitos na região central do Estado (eu constatei isso), fecharam suas casas e se mudaram para São Luís, fugindo, se escondendo para não enfrentar esses problemas.

Aos chorões, eu recomendo esse artigo de Francisco Ferraz, em que ele evoca o Rei Louis XIV, da França, no período absolutista - A ele é atribuída a famosa frase: "L'État c'est moi" (em português: O Estado sou eu), apesar de grande parte dos historiadores achar que isso é apenas um mito - para exemplificar a angústia de um governante pressionado para cumprir suas promessas ou resolver a vida de seus aliados e partidários.

Recomendo o artigo, mas não garanto-lhes que ainda se elejam a algum cargo se seguirem á risca esses ensinamentos...Kkkkk!!!

“Cada vez que nomeio alguém para um cargo, faço 100 pessoas descontentes e crio um ingrato”

Guarde os amigos para as situações de amizade pessoal e governe com os Competentes

Louis XIV, o Rei Sol, o construtor de Versalhes, que reinou por 72 anos, tinha uma corte numerosa, composta de aduladores ambiciosos em busca do poder e da riqueza. Seu reinado foi esplêndido e em torno de sua pessoa construiu-se o "mais moderno" trabalho de produção de imagem do período pré-moderno.

Não surpreende, pois, a sua queixa. Nada era mais cobiçado, e com mais "engenho e arte" procurado pelos cortesãos, do que uma nomeação real. Era o símbolo do prestígio, provindo da única fonte inabalável de prestígio existente na França: o Rei. O problema que a citação de Louis XIV suscita, entretanto, não está limitado à sua época e à sua corte.

Ao longo do tempo, os mais diferentes governantes têm descoberto que o poder de nomear, o poder da "caneta", gera mais descontentamentos do que satisfações. O poder de nomear implica no poder de escolher, o que, por sua vez, não pode ocorrer sem o exercício da exclusão.

Os cargos sempre serão em menor número que as ambições. Ambições, por sua vez, definem objetivos (cargos específicos), criam expectativas e usam os meios ao seu alcance para lograr sucesso. A escolha do governante, portanto, sempre vai frustrar mais expectativas do que gratificá-las. A questão é ainda mais delicada quando se considera que as pessoas que ambicionam os cargos são aliados e amigos do titular do governo.

Em suma, os 100 descontentes de Louis XIV são 100 amigos, auxiliares ou aliados que se sentiram pessoalmente preteridos pelo chefe. A exclusão tende a ser vivida dolorosamente como injustiça ou como uma desvalorização pessoal, frente a qual a oferta de outro cargo, como regra, não terá o poder de apagar aquele sentimento de desencanto e ressentimento que se instalou. De outro lado, o escolhido também fica numa posição muito peculiar.

Quanto mais disputado tenha sido o cargo para o qual foi nomeado, maior o preço que o governante teve que pagar, junto aos aliados e amigos, para nomeá-lo. Sua presença é a lembrança viva daquele preço: amizades que se romperam, intrigas, desentendimentos, pessoas ofendidas, novas "dívidas" políticas contraídas...

O "ingrato" de Louis XIV pode chegar a este sentimento em razão da insegurança que sente no cargo que conquistou. Cercado de rivais, consciente do custo pago pelo governante para nomeá-lo, ele permanece numa posição vulnerável, necessitando, periodicamente, de sinais de prestigiamento da parte do chefe, para manter-se. Como tal, busca respaldos fora da esfera de poder de quem o nomeou, para diminuir a sua insegurança.

Somente conquistará mais segurança e poder se conseguir respaldos externos que tenham o poder de influir junto ao governante. Ora, na medida em que busca reforço político fora do governo, torna-se menos confiável, sujeito a todo o tipo de desconfianças, e, no limite, um "ingrato". 

Nomear, como qualquer governante sabe, é um ônus político. Muitos governantes encontram enormes dificuldades para compor a sua administração em razão dos escrúpulos e bloqueios pessoais gerados pelo desejo de não se incompatibilizar com amigos e aliados. Esta fase acaba por retirar muito da alegria da vitória e do entusiasmo com o novo governo. Não se deve esquecer, entretanto, que há sempre mais "amigos" junto ao governante eleito, do que junto ao que perdeu a eleição. O problema está no fato de que você normalmente não conhece seus "amigos" tão bem quanto imagina.

Os "amigos" em geral vão concordar com você, mesmo que no seu interior discordem; seus "amigos" terão seus projetos pessoais que, na maioria das vezes, seguem rotas diferentes, quando não opostas aos seus; além disso tudo, seus "amigos" vão sempre exigir uma quota extra de paciência e tolerância com erros, que você não teria com pessoas escolhidas em função de sua qualificação pessoal.

Finalmente, o indivíduo que deve sua nomeação aos laços de amizade não se sente agradecido pelo ato. Você fez o que devia fazer. A satisfação inicial é logo substituída por sentimentos negativos que, pouco a pouco, vão crescendo dentro dele.

O favor que você lhe fez torna-se opressivo. A auto-estima fica atingida: você o nomeou porque ele é um amigo, não porque você achava que ele merecia por seus méritos próprios. Esta é a "rota da ingratidão". A relação vai se tornando mais distante, desconfianças são freqüentes, e, quanto mais consideração você tiver com ele, quanto mais gestos de amizade você fizer, menos gratidão e reconhecimento você receberá.

É paradoxal, mas é real. Você não tem tantos amigos quanto imagina e nem eles são tão fiéis a você. Cuidado com os "amigos", eles podem traí-lo mais facilmente do que você imagina. Governe com os mais capazes, sejam amigos ou não, e não se perturbe pela insatisfação dos amigos. Guarde os amigos para as situações de amizade pessoal e governe com os competentes (Francisco Ferraz).

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